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Sr. Sebastião, Tarde Demais romance Capítulo 209

Luana passou o tempo todo preocupada que Sebastião mandasse Benito expulsá-la.

Mas até a manhã seguinte, não havia sinal de Benito.

Por vários dias consecutivos, Sebastião também não apareceu.

Nuno ligou, perguntando se Sebastião havia feito algo com ela.

Luana disse a Nuno que, por causa de Sílvio, ela precisaria ficar nos Jardins do Perfume temporariamente e agradeceu profundamente a ajuda dele nos últimos tempos.

Nuno respondeu com seu jeito habitual: "Nós somos parceiros, se precisar de mim, é só gritar."

Embora Luana estivesse morando nos Jardins do Perfume, o processo pela guarda de Sílvio não havia sido retirado.

No dia da sentença, Luana ligou para Elpídio antes de ir.

Elpídio disse que já estava a caminho, o que a tranquilizou.

Sebastião não foi, nem Benito.

No entanto, Guilherme apareceu impecável em seu terno, acompanhado de sua equipe jurídica.

Elpídio demorava a chegar, e a ansiedade de Luana crescia.

Ela ligou para ele, mas a linha estava ocupada.

A juíza já cobrava há algum tempo:

— Senhorita Luana, quando seu advogado chegará?

— Ele deve estar chegando.

Luana perdeu a conta de quantas vezes ligou para Elpídio.

O telefone dele passou de ocupado para desligado.

Enquanto Luana queimava de ansiedade, a juíza, impaciente, proferiu com voz autoritária:

— O advogado da autora não compareceu após o horário estipulado, o que configura desrespeito ao tribunal. Considerando que a autora está envolvida em processos criminais e não possui condições adequadas de guarda, este tribunal decide: a guarda de Sílvio será concedida ao pai, Sebastião. Sessão encerrada.

A juíza levantou-se e saiu rapidamente.

Luana empurrou as pessoas à sua frente, correndo para tentar segurar o braço da juíza, mas foi contida pelos policiais.

Luana tentou ligar para Elpídio novamente.

O telefone nunca mais atendeu.

Ela voltou para os Jardins do Perfume.

Suzana e Teresa estavam dando banho em Sílvio.

Luana encostou-se no batente da porta, olhando para o filho na banheira.

O corpinho dele estava coberto de espuma branca.

A conversa foi ouvida por Camila.

Camila discou um número e caminhou para a varanda.

Assim que a chamada foi atendida, ela explodiu:

— Quando você volta?

— O que houve, mãe?

Percebendo a irritação na voz da mãe, Sebastião perguntou enquanto assinava documentos.

— Não quer mais esposa nem filho?

Do outro lado, a mão de Sebastião parou, e a tinta manchou o papel.

Diante do silêncio do filho, Camila não se conteve:

— Não pense que vai ser irresponsável como seu pai. Você volta hoje à noite, ou vai se ver comigo.

— Clique. —

O telefone foi desligado.

O cheiro de pólvora pairava no ar.

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