Ela era vulgar, sim.
Se não fosse vulgar, como poderia gostar dele a ponto de se deixar ferir tanto?
Vendo que ele estava prestes a sair, o pânico tomou conta de Luana.
Ela agarrou o braço dele e o beijou.
Ele virou o rosto, e ela só conseguiu beijar seu pescoço.
Luana viu claramente o pomo de adão dele se mover.
Mesmo sentindo a fúria dele prestes a explodir, ela não se importou.
Virou o rosto dele com as duas mãos e pressionou os lábios contra os dele com força.
O contato foi violento, as respirações agitadas.
Sebastião lutou contra o impulso de jogá-la no chão e possuí-la ali mesmo, ou matá-la.
— Baque surdo. —
Ele a empurrou.
Luana foi arremessada para trás.
Sua lombar colidiu com a quina de uma cadeira.
Seu rosto ficou branco como papel.
Quando a dor diminuiu e ela ergueu a cabeça, Sebastião já havia desaparecido.
Luana correu atrás dele.
Camila estava no corredor, chamando por Sebastião, que se afastava.
Ouvindo passos, Camila olhou para trás e viu Luana, pálida e com uma expressão terrível.
Era óbvio: a conversa tinha sido um desastre.
Camila quis perguntar, mas Luana não tinha tempo para palavras; corria desesperada atrás de Sebastião.
Camila fechou os olhos, sentindo sua pressão arterial subir vertiginosamente.
Quando se acalmou e saiu, viu Luana puxando Sebastião na porta.
Ele queria partir, Luana não deixava, postando-se ao lado do carro.
Ela dizia algo, sua postura era humilde, suplicante.
Mas a expressão de Sebastião era de gelo puro, sem um traço de emoção, sequer dignando-se a olhar para ela.
A cena partiu o coração de Camila.
Ela se lembrou de si mesma, anos atrás.
A Luana de agora era idêntica a ela implorando para Juvêncio Mendes não ir embora.
Incapaz de conter a satisfação, Camila repetiu a palavra "recasamento" várias vezes.
Luana estava desolada.
Cobriu o rosto com as mãos, e as lágrimas escorreram por entre os dedos:
— Ele não concorda. Ele... não me quer mais.
Agora há pouco, ela jogou fora sua dignidade, implorou descaradamente, mas Sebastião nem olhou para ela.
Para voltar, ela se rebaixou, tentou agradá-lo, beijou-o.
Pelo Sílvio, isso era o máximo que ela podia fazer.
— Não se preocupe. Eu pari aquele menino, eu o conheço. Ele é teimoso, mas a boca diz não e o coração diz sim.
Camila pegou a mão de Luana e levou a nora de volta para dentro dos Jardins do Perfume.
— Você vai morar aqui. Eu também vou me mudar para cá. Enquanto ele não aceitar o recasamento, eu não o deixo voltar.
A atitude de Camila trouxe um leve conforto a Luana.
Ela defendia a razão, não o sangue; Camila era a melhor sogra do mundo.
À noite, Luís trouxe as malas de Luana, e Suzana trouxe as roupas de Camila.
Luana estava oficialmente instalada nos Jardins do Perfume.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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