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Sr. Sebastião, Tarde Demais romance Capítulo 207

Camila curvou-se, encostando o ouvido na porta de madeira maciça.

Nenhum som.

Ela ergueu a mão e bateu.

— Sebastião? Sou eu, sua mãe. Posso entrar?

O silêncio era tão absoluto que se podia ouvir uma agulha cair.

Camila empurrou a porta.

O que seus olhos viram foi um cenário de destruição total; a sala estava em ruínas, fazendo o coração de Camila disparar.

Ela ergueu o olhar e viu Sebastião sentado na poltrona, um cigarro entre os dedos.

A fumaça borrava seus contornos, impedindo que vissem sua expressão, mas a aura sombria e assassina que emanava dele era palpável.

Camila verificou o rosto e as mãos dele; ao não ver sangue, relaxou um pouco.

Sebastião sabia que elas estavam ali, mas não dignou-se a olhar.

Continuou sentado, tragando e exalando fumaça, imerso em seu próprio inferno particular.

Camila murmurou:

— Devo ter pecado muito na vida passada para merecer vocês dois.

Ela se virou para sair e deu de cara com a expressão vazia de Luana.

Com um gesto de cabeça, indicou o homem na poltrona:

— Está esperando o quê? O que me disse lá fora, diga a ele agora!

Camila empurrou Luana, que tropeçou dois passos à frente, pega de surpresa.

A porta se fechou.

A voz de Camila ainda pôde ser ouvida do lado de fora:

— Se importam tanto um com o outro, mas insistem em se destruir. Que agonia.

Os passos se afastaram.

Camila foi embora.

Assuntos do coração não aceitam intromissões; Camila aprendeu isso da maneira mais difícil.

Ela deixou o espaço para eles, para que se resolvessem ou se matassem de vez.

A atmosfera na sala estava estagnada, pesada o suficiente para sufocar.

De repente, Sebastião apagou o cigarro, levantou-se e caminhou em direção à saída.

Ao passar por Luana, ela estendeu a mão e segurou a barra de sua camisa.

O movimento foi leve, temerosa de despertar a fera.

A destruição no chão já deixava claro que Sebastião estava em fúria.

Ele baixou os olhos.

Seu olhar cortante deslizou até a mão dela segurando sua roupa.

Seus olhos escureceram.

— Solte.

Luana não se moveu.

Ela manteve a postura, rígida.

Finalmente, com dificuldade, sua garganta liberou as palavras:

Era como se estivesse sufocando, uma dor que não subia nem descia, travada na garganta.

Seu sorriso se alargou, carregado de uma ironia dolorosa:

— Sebastião, você gosta de mim? Entendi. Da boca para fora, você gosta. Mas por dentro, você quer me estrangular, não quer?

Um homem que deseja estrangulá-la... como poderia gostar dela?

Ela matou a mulher que ele amava.

Por isso, ele imediatamente tirou o Sílvio dela, fazendo-a sentir a dor da separação da carne e do sangue.

Sebastião realmente queria estrangulá-la.

Não por Vanessa.

Mas porque ela não confiava nele.

Porque ela delirava tentando tirar o filho de perto dele.

Para conseguir isso, ela não hesitou em levá-lo ao tribunal, fazendo Sebastião perder a face diante de todos.

Ele pensava nela em cada detalhe.

Mesmo quando ela cometeu um crime grave, ele não hesitou em usar conexões que detestava mover para tirá-la da cadeia sob fiança.

Essa mulher não tinha coração.

Quanto mais ela tentasse fugir, menos chances ele daria.

Querer que o filho dele chamasse outro homem de pai? Sonhe.

Só se ele, Sebastião, estivesse morto.

— Não quero mulher que se oferece. É barato. É vulgar.

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