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Sr. Sebastião, Tarde Demais romance Capítulo 203

— Sr. Sebastião, as acusações no noticiário são verdadeiras?

— O senhor realmente usaria qualquer método sujo para ficar com a criança?

Benito saltou do carro rapidamente, bloqueando o caminho dos repórteres:

— Sem comentários.

Outro carro chegou em alta velocidade e parou.

Luana e Nuno desceram, cada um por uma porta.

Os jornalistas mudaram o alvo instantaneamente:

— Srta. Luana, qual a sua previsão para o julgamento de hoje?

Luana estava prestes a falar, mas sentiu um frio percorrer sua espinha.

Do outro lado, o olhar de Sebastião era uma lâmina afiada.

Mesmo à distância, a aura gélida que emanava dele parecia congelar o ar ao redor.

E quando os olhos dele pousaram em Nuno, atrás dela, o gelo se transformou em fúria contida.

Nesse momento, um Bentley e um Maybach chegaram quase apostando corrida.

O Bentley parou e Camila desceu, com a expressão tempestuosa.

Ela gritava palavrões, fuzilando com os olhos a dupla que saía do Maybach: Regina Rodrigues e Plínio Mendes.

Plínio ajudava Regina a descer.

Mãe e filho olhavam para Camila — e para Sebastião — com um brilho de satisfação maliciosa.

Camila, que ia entrar no tribunal, parou e apontou para o arranhão no Bentley, gritando para Regina:

— Se não consertarem meu carro, vou fazer da vida de vocês um inferno!

Minutos antes, na estrada, o Maybach de Plínio havia cortado o Bentley.

Não foi uma batida forte, mas o suficiente para arranhar a lateral do carro de luxo.

Camila sabia que tinha sido proposital.

Regina, no entanto, mantinha sua máscara de inocência, pedindo desculpas incessantemente.

Se não fosse pelo horário da audiência, Camila teria voado no pescoço dela ali mesmo.

— Acione o seguro, querida, o seguro resolve.

Afirmou que, durante o casamento, sua cliente sofreu violência psicológica e traições, causando danos mentais severos.

Lembrou que a criança nasceu após o divórcio, em um parto de risco onde a mãe quase morreu.

Concluiu dizendo que o réu não merecia os direitos de pai.

Quando Elpídio terminou, foi a vez da defesa.

Guilherme levantou-se com arrogância.

Primeiro, alegou que seu cliente foi forçado a casar.

Disse que gostar de outra pessoa antes do casamento não era crime.

Insinuou que a autora da ação era, na verdade, a destruidora da felicidade do réu.

Afirmou que, no dia do parto, Luana planejou fugir com a criança e a escondeu propositalmente.

Com poucas frases e alguns vídeos como prova, ele desarmou o discurso de Elpídio com uma facilidade humilhante.

O clima ficou tenso.

O juiz bateu o martelo: "Recesso temporário".

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