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Sr. Sebastião, Tarde Demais romance Capítulo 204

Na sala de espera, o som de uma pasta batendo na mesa ecoou como um tiro.

Elpídio, com o rosto cinzento de frustração, questionou Luana severamente:

— Por que você não me contou que tentou fugir com o bebê e o escondeu?

O coração de Luana falhou uma batida.

Ela empalideceu e perguntou com voz trêmula:

— Isso é muito grave?

Ela queria ter contado, mas Nuno a impedira.

Ele achou melhor ocultar esse detalhe do advogado.

Por isso, ela calou-se.

Elpídio suspirou, irritado:

— Se eles focarem nisso, estamos perdidos.

— E convenhamos, em termos financeiros e de poder, você não chega aos pés do Sebastião.

Era a primeira vez que Elpídio sentia o gosto amargo da derrota iminente.

Ele respirou fundo, tentando reorganizar a estratégia:

— A nossa sorte é que a criança ainda amamenta.

— Se tudo der errado, ainda temos a opinião pública.

— A sociedade tende a proteger o lado mais fraco.

— Nuno, aumente a pressão nas redes sociais. Quanto mais barulho, mais chance temos.

— Pode deixar — respondeu Nuno, com os dedos já voando sobre a tela do celular.

Para ajudar Luana, Nuno contratou um exército de bots e perfis falsos para atacar a reputação de Sebastião.

O passado de Sebastião estava sendo revirado do avesso na internet.

Luana sentia-se tonta.

Elpídio disse que a única esperança era o escândalo público.

Isso significava que as chances legais de recuperar Sílvio eram mínimas.

Com um zumbido nos ouvidos, ela foi ao banheiro.

Seus passos eram incertos, como se pisasse em nuvens de chumbo.

Ao sair do banheiro, levantou os olhos e viu Sebastião encostado na parede, fumando.

O coração dela disparou em pânico.

Ele segurava o cigarro entre os lábios com descaso.

O olhar de Sebastião cortou a fumaça e perfurou Luana como uma adaga.

Bastou um segundo de contato visual para ela se sentir derrotada.

Quando ela tentou fugir, a voz dele ecoou, carregada de desprezo:

— Estamos no mesmo barco podre. De onde você tirou essa ideia de ciúmes?

O sorriso desapareceu do rosto de Sebastião.

Sua expressão tornou-se sombria e pesada:

— Na noite em que a Vanessa morreu, você me seduziu.

— Você me perguntou quem tinha o corpo melhor, você ou ela.

— Luana, me responda: naquele momento, você já a tinha matado?

A voz rouca dele era uma tortura lenta para os nervos de Luana.

O zumbido em sua cabeça aumentou, ensurdecedor.

Uma dor lancinante explodiu em suas têmporas.

Ela levou as mãos à cabeça, gemendo de dor.

Sebastião fez um movimento instintivo para ampará-la, mas parou no meio do caminho.

Recolheu a mão e a enfurnou no bolso, endurecendo o coração:

— Pare de fingir. Não tem ninguém olhando.

— Você está em liberdade provisória. O caso ainda não acabou.

— Se continuar com esse teatro, vou te mandar de volta para a cela.

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