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Sr. Sebastião, Tarde Demais romance Capítulo 202

Luana não respondeu, apenas sentou-se no sofá, com o olhar perdido no vazio.

Nuno voltou com o café da manhã e, ao vê-la imóvel, franziu a testa.

Ele pegou o telefone e ligou para um advogado.

Ao encerrar a chamada, disse a Luana:

— Consegui este advogado através dos contatos do meu pai.

— É o melhor de Porto Fundo.

Luana sabia que Nuno estava explicando para que ela não recusasse.

Mas que direito ela tinha de ser exigente?

Na situação atual, alguém aceitar o caso dela já era um milagre divino.

Vendo o silêncio de Luana, Nuno entendeu como um consentimento mudo.

Ele lhe entregou um prato de massa:

— Coma. Precisamos de energia para falar com o advogado.

Nuno era genuinamente bom para ela.

A preocupação da noite anterior fora real.

Luana sentiu um nó na garganta:

— Obrigada.

Foi tudo o que conseguiu dizer.

Nuno levou um pouco de comida à boca:

— Essa palavra cria distância entre nós.

— Resumindo, Luana: farei o impossível para te ajudar a recuperar o Sílvio.

Ele gesticulou para que ela comesse.

Luana balançou a cabeça.

Não era excesso de preocupação, mas o estômago revirado pelo álcool.

Até aquele momento, a dor física competia com a exaustão mental.

Quando Nuno terminou, foram juntos encontrar o tal advogado.

Elpídio, uma lenda no direito de Porto Fundo.

Era um amigo íntimo de Ovídio Barbosa, pai de Nuno.

Sem essa conexão, Luana jamais teria acesso a alguém desse calibre.

Após uma longa conversa, Elpídio aceitou o caso de custódia.

Enquanto isso, no escritório da Mendes Enterprise, Benito hesitava.

Ele olhou várias vezes para a porta fechada até ouvir a voz grave de Sebastião lá de dentro:

E a última foto: Sebastião, sob a luz da noite, curvado sobre o pescoço de Vanessa Alves, em uma pose íntima.

A data da foto marcava um ano atrás.

A narrativa era clara: Sebastião traiu primeiro, abusou depois.

Luana pediu o divórcio, teve o filho, e ele usou seu poder para roubar a criança.

A estratégia foi cirúrgica, um golpe direto na jugular da reputação de Sebastião.

Ao colocar-se como a vítima frágil, Luana incitou a fúria do público.

Com o apoio das massas, nem a melhor equipe de relações públicas ou os advogados mais caros poderiam salvar a imagem dele.

Talvez o resultado final desmoronasse sob a pressão popular.

Sebastião terminou de ler e perguntou, com voz monótona:

— Qual a probabilidade de vitória?

Guilherme, percebendo o humor negro do patrão, bateu no peito:

— Fique tranquilo. Garanto que sua ex-mulher vai se ajoelhar e implorar perdão.

Sebastião parecia impaciente.

Acendeu um cigarro e tragou em silêncio, envolto em fumaça e tensão.

Assim que o carro parou em frente ao tribunal, as câmeras cercaram Sebastião como abutres.

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