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Sr. Sebastião, Tarde Demais romance Capítulo 201

No monitor de segurança, Luana Ramos agitava os braços, golpeando a porta com desespero.

Teresa, hesitante, sussurrou com voz trêmula:

— O senhor não acha que... talvez a senhorita esteja com saudades do menino Sílvio? Talvez...

Sebastião Mendes permaneceu imóvel como uma estátua de gelo.

Seus olhos estavam fixos na tela, mas ao notar uma sombra masculina atrás de Luana, suas pupilas se contraíram em uma frieza letal.

O rosto, antes impassível, escureceu como uma tempestade prestes a desabar.

— Volte para o seu quarto.

Sebastião lançou as palavras para Teresa como pedras.

Teresa, sem ousar respirar alto, retirou-se em silêncio.

Na tela iluminada, a mulher ergueu a cabeça.

Fios de cabelo desordenados caíam sobre suas bochechas ruborizadas.

A embriaguez em seus olhos era nítida, uma névoa de dor e álcool.

Talvez pelo silêncio prolongado, a máscara de calma em seu rosto começou a rachar.

Ela começou a esmurrar a porta, gritando em um frenesi de loucura:

— Sebastião! Abra essa maldita porta!

— Com que direito você me impede de ver o Sílvio?

— Ele saiu de mim! Você tem ideia da dor que senti para trazê-lo ao mundo?

— Seu desgraçado! Sebastião, abra a porta agora!

Os gritos eram um misto de impotência e desolação, mas não foram suficientes para abalar o coração de pedra daquele homem.

Sebastião estreitou os olhos, focando perigosamente na imagem.

Seu olhar travou nas mãos de um homem que seguravam os ombros de Luana.

De repente, uma aura assassina e gélida emanou de Sebastião, preenchendo o escritório.

Luana deixou a cabeça pender, enterrando o rosto no peito daquele homem.

Seus ombros tremiam convulsivamente, em um choro mudo.

A imagem na tela se apagou abruptamente.

Sebastião caminhou até a janela.

Sob a luz do luar, ele viu o homem colocando Luana dentro do carro.

Quando o homem virou a cabeça distraidamente, o colarinho aberto revelou a pele morena.

E nela, marcas vermelhas visíveis.

Eram marcas de unhas, recentes e provocantes.

A expressão de Sebastião mudou drasticamente.

As veias em suas têmporas saltaram, pulsando como se quisessem rasgar a pele.

Irritado, passou a mão pelos cabelos, entrou no carro e ligou o motor.

O carro arrancou, empurrando Benito para o lado com uma velocidade calculada para assustar, mas não ferir, e desapareceu na noite.

Nuno levou Luana de volta para a Mansão Ramos.

Ela estava completamente transtornada pelo álcool.

Balbuciava frases desconexas, chorava de forma dilacerante e, no momento seguinte, ria com um escárnio que beirava a insanidade.

Nuno, preocupado que ela pudesse se ferir, não teve coragem de ir embora.

Depois de ajudá-la a se deitar, ele se aninhou no sofá da sala e passou a noite ali.

Luana acordou com a cabeça latejando, como se fosse explodir.

Fragmentos de memória giravam em sua mente como cacos de vidro.

A porta se abriu e Nuno entrou.

Luana o encarou, surpresa:

— Você ainda não foi embora?

Nuno suspirou:

— Ontem à noite você estava inconsciente.

— Tive medo de que algo acontecesse, então fiquei.

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