Nuno percebeu que Luana estava perdendo o controle.
Ele arrancou a garrafa da mão dela.
Luana enfureceu-se, os cantos dos olhos vermelhos de raiva, e tentou pegar a garrafa de volta.
Vendo-a tentar se autodestruir, o coração de Nuno doeu.
Quando ela terminou aquela e foi pegar outra, Nuno a segurou pela cintura e a colocou sobre o ombro.
Luana começou a espernear, a gritar.
Seus punhos batiam nas costas de Nuno, inofensivos como cócegas.
Então, ela baixou a cabeça e cravou os dentes no ombro dele com força.
A dor aguda se espalhou, mas Nuno apenas sibilou.
Ele a jogou no banco do passageiro e deu a volta para assumir o volante.
Luana agarrou o braço dele, a língua enrolada:
— Para onde... você vai me levar?
A luz fraca dos postes iluminava o rosto pálido e doente dela.
Seus olhos, brilhantes e líquidos como vidro derretido, fixaram-se em Nuno.
Nuno sentiu a garganta secar.
Ele engoliu em seco.
Queria levá-la para sua casa, tomá-la para si.
Mas a razão gritava que aquilo seria imperdoável.
Se Luana acordasse e percebesse, ela o odiaria para sempre.
— Vou te levar para a Mansão Ramos.
— Não!
Ela fez um bico com os lábios vermelhos, uma sedução inocente e devastadora:
— Para a sua casa.
De repente, o corpo de Nuno ferveu.
Ele a repreendeu com a voz rouca:
— Luana, não me tente.
— Você sabe que eu não tenho defesa contra você.
— Hehe! — Luana riu, passando os dedos finos e frios pelo rosto dele.
Mas, enquanto traçava o perfil dele, começou a chorar.
Ninguém sabia o tamanho da dor dela.
Se amasse menos, talvez doesse menos.
Se o homem à sua frente fosse ele... seria tão bom.
Nuno percebeu que ela o confundia com outro.
Um gosto amargo subiu à boca dele.
Ele afastou a mão dela, controlando a própria agitação, e ligou o carro.
— Não quero ir para casa. Não quero.
A viagem inteira foi embalada por essa súplica repetitiva.
Luana desceu do carro, cambaleando em direção aos portões do Jardins do Perfume.
Apertou a campainha.
Ninguém veio.
Então ela usou toda a força que lhe restava e pressionou o botão sem parar.
Dentro da villa.
O som incessante da campainha já havia acordado Teresa.
Ela vestiu um roupão e correu para o monitor.
Ao ver o rosto corado e desesperado de Luana na tela, Teresa sentiu uma onda de alegria.
Estendeu a mão para abrir o portão.
— Se você abrir essa porta, vai para a rua junto com ela.
A voz veio de trás, carregada de um frio siberiano.
Teresa virou-se.
Sebastião descia as escadas de pijama, os olhos escuros emanando uma aura assassina.
Teresa tremeu e recolheu a mão como se tivesse tocado fogo.
A campainha parou por um instante.
Teresa pensou que Luana tinha desistido.
Mas então, um som muito mais alto e bruto começou.
Bam! Bam! Bam!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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