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Sr. Sebastião, Tarde Demais romance Capítulo 200

Nuno percebeu que Luana estava perdendo o controle.

Ele arrancou a garrafa da mão dela.

Luana enfureceu-se, os cantos dos olhos vermelhos de raiva, e tentou pegar a garrafa de volta.

Vendo-a tentar se autodestruir, o coração de Nuno doeu.

Quando ela terminou aquela e foi pegar outra, Nuno a segurou pela cintura e a colocou sobre o ombro.

Luana começou a espernear, a gritar.

Seus punhos batiam nas costas de Nuno, inofensivos como cócegas.

Então, ela baixou a cabeça e cravou os dentes no ombro dele com força.

A dor aguda se espalhou, mas Nuno apenas sibilou.

Ele a jogou no banco do passageiro e deu a volta para assumir o volante.

Luana agarrou o braço dele, a língua enrolada:

— Para onde... você vai me levar?

A luz fraca dos postes iluminava o rosto pálido e doente dela.

Seus olhos, brilhantes e líquidos como vidro derretido, fixaram-se em Nuno.

Nuno sentiu a garganta secar.

Ele engoliu em seco.

Queria levá-la para sua casa, tomá-la para si.

Mas a razão gritava que aquilo seria imperdoável.

Se Luana acordasse e percebesse, ela o odiaria para sempre.

— Vou te levar para a Mansão Ramos.

— Não!

Ela fez um bico com os lábios vermelhos, uma sedução inocente e devastadora:

— Para a sua casa.

De repente, o corpo de Nuno ferveu.

Ele a repreendeu com a voz rouca:

— Luana, não me tente.

— Você sabe que eu não tenho defesa contra você.

— Hehe! — Luana riu, passando os dedos finos e frios pelo rosto dele.

Mas, enquanto traçava o perfil dele, começou a chorar.

Ninguém sabia o tamanho da dor dela.

Se amasse menos, talvez doesse menos.

Se o homem à sua frente fosse ele... seria tão bom.

Nuno percebeu que ela o confundia com outro.

Um gosto amargo subiu à boca dele.

Ele afastou a mão dela, controlando a própria agitação, e ligou o carro.

— Não quero ir para casa. Não quero.

A viagem inteira foi embalada por essa súplica repetitiva.

Luana desceu do carro, cambaleando em direção aos portões do Jardins do Perfume.

Apertou a campainha.

Ninguém veio.

Então ela usou toda a força que lhe restava e pressionou o botão sem parar.

Dentro da villa.

O som incessante da campainha já havia acordado Teresa.

Ela vestiu um roupão e correu para o monitor.

Ao ver o rosto corado e desesperado de Luana na tela, Teresa sentiu uma onda de alegria.

Estendeu a mão para abrir o portão.

— Se você abrir essa porta, vai para a rua junto com ela.

A voz veio de trás, carregada de um frio siberiano.

Teresa virou-se.

Sebastião descia as escadas de pijama, os olhos escuros emanando uma aura assassina.

Teresa tremeu e recolheu a mão como se tivesse tocado fogo.

A campainha parou por um instante.

Teresa pensou que Luana tinha desistido.

Mas então, um som muito mais alto e bruto começou.

Bam! Bam! Bam!

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