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Sr. Sebastião, Tarde Demais romance Capítulo 166

Luana sentiu o coração quase rasgar o peito com a notícia do desaparecimento do filho.

Mas, num instante gélido, ela recobrou a compostura.

Ela correu para fora do edifício do Grupo Mendes.

Sebastião já a esperava, o motor do carro roncando impaciente aos seus pés.

Ela entrou rapidamente, e o Cayenne preto cortou a estrada em direção à mansão da família Mendes.

A velha casa estava imersa em uma atmosfera fúnebre.

O bisneto, a joia da quarta geração dos Mendes, havia desaparecido.

Dona Camila estava com os olhos inchados de tanto chorar.

Ao ver Sebastião e Luana, suas lágrimas desabaram novamente.

— Luana, me perdoe — ela disse, com a voz rouca.

Ela falhou em proteger Sílvio; a culpa era dela.

Luana, embora consumida pela raiva, sabia que aquele não era o momento para explodir.

Diante do silêncio frio de Luana, Camila chorou ainda mais.

Eliana tentou consolar a mãe.

— Mãe, pare de chorar. A senhora já chorou o dia todo. Vai acabar ficando cega.

Camila descontou toda a sua fúria em Eliana.

— Claro que você não se importa. Afinal, não tem o seu sangue.

Eliana sentiu a injustiça, fazendo um bico magoado.

— Mãe, como pode dizer isso? Eu amo o Sílvio. Mas chorar não resolve nada, precisamos encontrar o menino.

A menção ao fato fez a raiva de Camila explodir novamente contra os criados.

— Digam! Onde está o Sílvio?

Ninguém ousava respirar alto; todos os empregados baixaram a cabeça em submissão.

— Fale você, Suzana.

Camila apontou sua mira para a velha governanta da Mansão Mendes.

Suzana, consumida pela vergonha e desespero, gaguejou:

— Senhora... eu... não sei....

Ele não foi atrás dela, mas ordenou que seus homens vasculhassem o pátio.

A Mansão Mendes foi virada do avesso, mas Sílvio continuava desaparecido.

Eliana saiu de seu quarto e encontrou Sebastião fumando silenciosamente no corredor.

Ela se aproximou cautelosamente.

— Irmão, não se preocupe. Deus protege os inocentes. Nada acontecerá ao Sílvio.

Sebastião exalou a fumaça, e seu olhar cortou a névoa como uma lâmina afiada em direção a ela.

— Se eu encontrar qualquer prova de que foi você, Eliana, eu não terei piedade.

Eliana sentiu um arrepio na espinha e gritou sua inocência:

— Irmão, como pode pensar isso? Como eu faria mal ao meu sobrinho? Eu o amo tanto!

A voz de Eliana soava exagerada, teatral.

Sebastião soltou um riso frio.

— Poupe-me. Eu não digo tudo o que sei, mas isso não significa que sou cego.

— Foi você quem tirou a Iracema da prisão?

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