Os olhos de Hera estavam grudados no teto, perdidos, enquanto sua voz soava entre o desabafo e o delírio:
— Fui acolhida pela Família Cardoso aos nove anos. Para me aprimorar, aprendi etiqueta, regras, a forma certa de falar, de sorrir e até de ler a fisionomia dos outros. Eu me dediquei tanto... E por que agora terminei de mãos vazias? Houve quem zombasse de mim, me chamando de filha adotiva para tentar baixar a minha crista, mas a Jessica me defendia, dizendo que a filha adotiva era filha dela e não permitia que ninguém pisasse em mim. Depois, me tornei a esposa de Alarico, a nora mais importante. Todo mundo me bajulava... Mas por que ele teve que morrer tão cedo? Fui deixada para trás, completamente sozinha. Eu só queria achar alguém em quem me apoiar, e o que eles fazem? Me expulsam de lá...
Karina olhou com tristeza para a ingenuidade da filha, que ainda vivia mergulhada nas ilusões da antiga glória.
Nesse momento, Amanda Martins entrou no quarto carregando o jantar. Ela ouvira cada palavra do monólogo de Hera.
Ela debochou:
— Hera, você é realmente cega ou está apenas fingindo? Se você casasse com o Norberto, seria apenas mais uma amante descarada tentando assumir o controle. Além de ter sido irmã dele e cunhada, você ainda teve o cinismo de querer ser a esposa. E agora, o mundo tem que girar ao seu redor? Se algo não sai do seu jeito, você é a vítima sofrendo injustiça? Pare e acorde para a vida! Você não faz ideia do que as pessoas lá fora estão dizendo sobre você?
Hera pareceu despertar sob um tapa repentino. Seus olhos se arregalaram, mirando a meia-irmã com profunda raiva.
Antigamente, Karina interrompia os insultos da filha mais nova, mas hoje estava em silêncio.
A verdade é que sua filha mais velha fora gananciosa demais. Se o seu destino atual estava traçado, metade da culpa era dela mesma por buscar a própria ruína.
— Amanda, fale mais uma palavra e rasgo a sua boca! — ameaçou Hera com um rosnado maligno.
Com uma mão na cintura, Amanda atirou a sacola do jantar na beira da cama:
— É melhor gravar bem isso, dondoca: esta foi a primeira e última vez que trago comida para você. Se me pedirem para fazer isso de novo, eu decepo a minha própria mão. Não preciso de parentes que não sabem o seu lugar.


Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido
Esse livro é ótimo.......