Com o semblante gélido, Norberto lançou um olhar rápido à porta do escritório da casa, mas não entrou.
Ele simplesmente virou-se e saiu, ordenando a Dona Zara que informasse a Hera sobre a descoberta, advertindo-a de que, se ela ousasse continuar com aquelas atrocidades, ele não a pouparia.
A empregada confirmou a ordem.
Em um quarto particular no hospital.
Hera já havia acordado, e a noite começava a cair lá fora.
Uma luz pálida filtrava-se pelas persianas, desenhando sombras no chão que lembravam as grades de uma prisão.
Karina cochilava à beira da cama, com o rosto ainda marcado por lágrimas.
— Mãe! — chamou Hera.
A mulher acordou num sobressalto, agarrando a mão da filha:
— Hera, graças a Deus você acordou.
— Eu perdi o bebê, não é? — Ela já havia tocado a barriga. Embora ainda houvesse um pequeno relevo, o volume diminuíra drasticamente; parecia vazio.
— Hera, o médico disse que o bebê chegou sem vida, possivelmente devido à falta de oxigênio... Se estiver doendo, pode chorar à vontade. — consolou Karina, compadecida.
Porém, Hera não derramou uma única lágrima. Ela estava mais apática do que nunca.
O filho que engravidara de propósito e cultivara por meses como moeda de troca, na esperança de forçar moralmente a Família Cardoso, se fora. E isso significava o colapso absoluto de seu plano.
Se ela não conseguia chorar, talvez fosse porque não sentia afeição genuína por aquela mera ferramenta.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido
Esse livro é ótimo.......