A noite inebriava como um bom vinho!
O restaurante reservado por Tristan ficava às margens do rio. Pelas janelas que iam do teto ao chão, descortinava-se a vista noturna das águas, com embarcações cruzando o horizonte e deixando longos rastros de luz refletidos na superfície.
Quando Tereza chegou, segurando a bolsa, já estava meia hora atrasada, e seu rosto exibia um sincero pedido de desculpas.
— Sinto muito, o trânsito estava terrível no caminho.
— Não se preocupe, eu também não esperei muito. — Tristan substituiu o chá frio da xícara dela por uma infusão quente, com uma voz carregada de doçura. Ele então lançou um olhar em direção à entrada por onde ela havia chegado. — Você não trouxe a Delfina?
— A avó da Delfina foi buscá-la. Minha intenção era trazê-la comigo. — Tereza sentou-se à frente dele e tomou um gole de água.
— A Noemi ficou doente nesses últimos dias. Ela queria muito vir, mas fiquei com medo de que transmitisse alguma coisa para a Delfina, então preferi deixá-la descansando em casa. — comentou Tristan, com um sorriso.
— Estamos na mudança de estação, é uma época com muitos casos de viroses. Você precisa prestar atenção redobrada a qualquer sintoma que ela apresentar. — Tereza concordou com um aceno.
— Eu não tenho a menor experiência. Terei que pedir à Dra. Leal que me ensine algumas lições no futuro. — respondeu Tristan, em um tom de leve impotência.
— A Noemi tem muita sorte de ter um tio tão dedicado como você. — Tereza o observou e abriu um sorriso.
Ao receber o elogio, o coração de Tristan se encheu de alegria, e as pontas de suas orelhas queimaram de leve.
— É mesmo? Então... você poderia considerar dar uma chance a este homem tão dedicado?
Tristan fez a proposta disfarçada de brincadeira, mas Tereza ficou visivelmente surpresa, sem reação.
— Este restaurante abriu há pouco tempo. Dê uma olhada nas opções; eu escolhi apenas um prato até agora. — Tristan, percebendo a hesitação, mudou de assunto rapidamente.
Tereza pegou o cardápio, folheou-o, escolheu algumas opções e devolveu-o ao garçom.
— Era o Norberto, não é? Nem ele próprio percebia. — Tristan a encarou e, com um amargo na voz, respondeu.
Tereza abaixou o olhar, e sua expressão enrijeceu instantaneamente.
— Eu sabia que esse alguém não era eu, mas, no fundo, queria muito que fosse. — murmurou Tristan, em voz baixa.
Tereza ergueu a cabeça, fixando os olhos nele.
— Naquele verão, depois que você partiu com a sua avó, eu costumava me sentar sozinho na biblioteca onde você costumava ficar. Quando você estava lá, eu não tinha coragem de me aproximar; quando ia embora, me faltava ousadia para procurá-la. Em questões de amor, Tereza, eu sempre fui um grande covarde. — confessou Tristan, embargado de tristeza.
Os olhos de Tereza marejaram levemente. Ela não esperava que os sentimentos de Tristan fossem tão enraizados, algo que nunca teve a intenção de provocar. Aquele verão da juventude parecia ter passado num piscar de olhos em sua memória; para ela, fora apenas a época em que ganhara um novo amigo, mas para ele, parecia ter durado uma eternidade.
— Tristan... — Tereza umedeceu os lábios ressecados antes de continuar: — Neste momento, meu único desejo é me dedicar à minha carreira e cuidar da minha filha. Não quero pensar em mais nada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido
Esse livro é ótimo.......