Agora, ao descobrir uma verdade tão chocante, era inevitável que Jessica desconfiasse.
Seria possível que Alarico tivesse descoberto o segredo de que Hera gostava do irmão dele e, incapaz de aceitar a situação, acabou se entregando ao vício, sofrendo tanto tormento até que o seu coração não aguentou?
Jessica se assustou com o próprio pensamento.
Será que foi realmente isso que aconteceu?
Quanto mais pensava, mais medo sentia. Mas, e se esse fosse o real motivo do seu infarto repentino? Como ela, sendo mãe, poderia suportar tamanho fardo?
— Alarico, meu filho, você poderia me visitar em um sonho e contar a verdade, para que eu não fique aqui criando tantas suposições? — sussurrou Jessica, olhando para a lua enquanto as lágrimas embaçavam a sua visão.
Hera teve alta do hospital. Ela sabia que Jessica estava profundamente decepcionada com ela e que, sem dúvida, jamais a aceitaria de volta na Família Cardoso. Para proteger o bebê em seu ventre, Hera deixou o hospital de forma discreta e se mudou de volta para a casa de Karina Andrade.
Ao receber alta, ela enviou mensagens para Norberto Cardoso e para Jessica. Norberto apenas respondeu para que ela descansasse bem, enquanto Jessica sequer deu um retorno, agindo como se não tivesse mais aquela filha.
Quanto mais profundo o amor, mais intensa é a dor. Ao olhar para a tela da conversa, vendo apenas as mensagens enviadas por ela mesma, o coração de Hera afundava cada vez mais. Ela tinha sido apressada demais, deveria ter tido mais paciência e esperado um pouco mais, mas... agora não adiantava se arrepender.
O fato de Jessica não tê-la repreendido pessoalmente já era a última gota de dignidade que havia lhe restado.
Mas Hera sabia que essa pouca dignidade era frágil como um pedaço de papel, que poderia se rasgar ao menor toque.
O carro estacionou em frente à pequena casa da Família Martins.
Karina Andrade já a esperava no portão. Silvano Martins, que havia tirado o dia de folga, também estava lá para ajudar com a bagagem. Apenas Amanda Martins permanecia de braços cruzados, observando sem qualquer expressão no rosto a descida daquela grande madame do carro.
— Então, a partir de agora vou chamá-la de Hera. Eu e a sua mãe estamos muito felizes que tenha vindo morar conosco por um tempo. — Silvano respondeu com um sorriso simpático.
— Está bem! — Hera concordou com um aceno de cabeça.
— Hera, sente-se. A mamãe vai pegar um copo de água para você. — Karina Andrade apressou-se em ir para a cozinha. Hera olhou para o sofá de couro com uma nítida expressão de relutância, mas acabou se sentando. Ela não precisava ter voltado para a casa da Família Martins, mas, para tranquilizar Jessica, não teve outra escolha a não ser se mudar para lá.
— Já que sente tanto nojo, por que veio morar aqui? Não lembro de ninguém ter te convidado. — Amanda, que não tirava os olhos de cada movimento de Hera, soltou um sorriso de escárnio ao ver a atitude esnobe da irmã.
— O que você disse? — Hera levantou a cabeça e a encarou friamente.
— Eu disse que, se sente nojo, não deveria ter vindo morar aqui. Você não estava acostumada com a vida de princesa na Família Cardoso? Vir para a nossa casinha deve ser muito difícil para você se adaptar. — Amanda ainda guardava bastante rancor da vez em que Hera quebrou o copo, e agora estava com toda a corda.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido
Esse livro é ótimo.......