Os dedos de Tereza se apertaram bruscamente em torno do volante, fazendo o carro quase derrapar. Ela rapidamente recuperou a calma, espiando ansiosa o rostinho da filha pelo espelho retrovisor, mas a escuridão a impediu de ver com clareza.
— Delfina, por que perguntou isso de repente? — Ela tentou fazer com que sua voz soasse o mais leve possível.
Delfina ficou em silêncio por um instante. Suas mãozinhas giravam o brinquedo cada vez mais rápido, sem responder de imediato. No entanto, o coração de Tereza parecia estar por um fio. Inquieta, ela encostou o carro no acostamento, parou e virou-se para encará-la.
Delfina também ergueu os olhos para olhá-la. Porém, parecia mais quieta que o normal. Ela voltou a baixar a cabeça, brincando com o objeto nas mãos, e murmurou em voz baixa:
— Eu perguntei para a Noemi. Ela disse que os pais dela se divorciaram e que agora ela mora só com a mãe. O pai dela só aparece nas datas comemorativas mais importantes. Mas ela disse que é muito feliz, porque ainda tem a avó e o tio que a amam muito.
Os olhos de Tereza marejaram em um piscar de olhos. Ela mordeu o lábio para abafar qualquer som. A filha era tão pequena, mas de uma maturidade que partia o coração.
— Mamãe, se você e o papai se divorciarem, vocês também vão morar separados, igual aos pais da Noemi? E como eu fico?
Delfina levantou a cabeça, seu rostinho olhando para ela de forma inexpressiva, mas com um brilho de cautela e insegurança nos olhos.
Debruçada sobre o volante, Tereza sentiu o peito doer como se estivesse sendo apunhalado. Ela respirou fundo e respondeu com doçura:
— Delfina, não importa o que aconteça, o papai e eu sempre vamos amar você.
— Eu vou ficar com a mamãe ou vão me mandar para o papai? Porque o papai tem mais dinheiro que você. Eu perguntei para algumas pessoas, e elas disseram que a criança fica com quem tem melhores condições. Mas eu não quero ir com o papai, eu quero ficar com você, mamãe. — Delfina disse, encarando-a com muita seriedade. As lágrimas brilhavam em seus olhos, prontas para cair, revelando o quanto ela também estava assustada.
Tereza soltou o cinto de segurança, virou-se para trás e esticou a mão para acariciar suavemente o rosto da menina. Em seguida, segurou sua mãozinha gordinha, ainda suja de tinta. Era adorável, mas também profundamente comovente.
— Delfina, existem alguns problemas entre o papai e a mamãe que não conseguimos resolver. Mesmo que a gente se divorcie, você sempre será o nosso maior tesouro.
— Ah. E ele vai casar com outra moça? O pai da Noemi casou com outra moça e logo vão ter um bebezinho. O papai vai fazer isso também? — É provável que Delfina tivesse conversado bastante com Noemi, pois a maioria de suas perguntas refletia a experiência da amiga.
— Isso... eu não sei. Você pode perguntar ao seu pai, ele com certeza vai te contar. — Tereza respondeu. Delfina murmurou em resposta e, no segundo seguinte, abriu um sorriso: — Mamãe, se o papai casar de novo, eu serei filha só sua. E, assim como a Noemi, eu também não vou incomodá-lo.
— Sim, a minha Delfina é a menina mais compreensiva do mundo. — O coração de Tereza deu um salto e ela assentiu.
Tereza prendeu novamente o cinto de segurança e deu a partida no carro. No entanto, as mãos que seguravam o volante ainda tremiam levemente. As lágrimas embaçaram sua visão, e ela rapidamente as enxugou com as costas da mão.
Delfina continuou na cadeirinha no banco de trás, abraçou sua boneca de pano favorita e ficou olhando pela janela, sem fazer mais perguntas. Estava quieta, como um anjinho.
O carro parou em frente ao prédio do apartamento e Tereza desligou o motor. Ela permaneceu sentada por um momento antes de abrir a porta. Diferente das outras vezes, Delfina não havia adormecido; ela continuava com os olhos bem abertos, observando a rua.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido
Esse livro é ótimo.......