Será que, durante esses dezoito anos de convivência, a Hera que ele conhecia não era a verdadeira?
Na manhã seguinte, no escritório da Vitalis Futuro, Tereza estava cuidando de seus afazeres quando viu o celular vibrar. Um de seus fundos havia recebido um depósito de cinquenta milhões, e o remetente era seu irmão mais velho, Ramiro Leal.
O olhar de Tereza demonstrou surpresa. Há apenas três dias, ela lhe havia transferido cinquenta milhões para ajudá-lo com o fluxo de caixa. Como ele havia devolvido o dinheiro tão rápido? Será que ele tinha mesmo vendido a sua mansão?
Nesse exato momento, Ramiro ligou.
— Tereza, já transferi o dinheiro para você. Dê uma olhada.
— Irmão, de onde você tirou esse dinheiro? Não me diga que você realmente vendeu a...
— Fique tranquila, não vendi a casa. O dinheiro que me roubaram no golpe foi todo recuperado. Foi o Norberto quem ajudou. Não faltou um centavo, recuperamos tudo.
— Foi ele quem ajudou você? — A expressão de Tereza congelou, e ela apertou o celular com mais força.
— Sim! Norberto mandou investigarem o passado daquele Cael e contatou a delegacia de crimes econômicos. Eles já haviam aberto um inquérito, mas com o Norberto acompanhando o progresso, o dinheiro foi recuperado. Ele me prestou um favor imensurável, preciso agradecê-lo adequadamente. — Ramiro estava transbordando de emoção, como alguém que havia descido ao inferno e retornado para ver a luz do sol.
Tereza permaneceu em silêncio. Sua mente voltou àquele dia no café, quando Norberto a ajudou a sair de uma situação constrangedora e, logo depois, mencionou que poderia ajudar com o caso. Na época, ela havia recusado.
Inesperadamente, ele ajudou de qualquer maneira.
— Tereza, devo admitir que o Norberto é um cara muito ponta firme. Embora ele não vá mais ser meu cunhado no futuro, ainda quero manter contato com ele. Ah, eu disse que queria pagar um jantar para ele, e ele topou na hora. Vem com a gente.
— Não vou. — Tereza ficou em silêncio por um instante antes de responder.
— Tereza...
— Irmão, vão jantar vocês. Eu ainda estou ocupada aqui. — Sem esperar que Ramiro dissesse mais nada, Tereza desligou o telefone.
A súbita demonstração de lealdade de Norberto era realmente desconcertante. No passado, sempre que se tratava dos assuntos do irmão dela, Tereza precisava ir até ele e explicar toda a situação antes que ele concordasse em assinar qualquer acordo.
Desta vez, no entanto, ele havia tomado a iniciativa de ajudar.
Tereza franziu a testa. Ela não se sentia comovida, mas havia um peso sufocante em seu peito.
O humor de Norberto também estava péssimo naqueles dias. Ele descobriu que parecia estar vivendo dentro de uma mentira cuidadosamente tecida. Talvez a mentira sempre estivesse ali, mas ele nunca havia levantado o véu, até aquela conversa com a avó, onde poucas palavras foram suficientes para trazê-lo à realidade.
Jessica jogou o celular de lado, frustrada. Se Tereza estivesse mesmo tramando pelas costas dela, com certeza essa conta seria cobrada no futuro.
Tereza fez hora extra até as oito e meia da noite e depois dirigiu até a Família Leal para buscar a filha.
Logo após o carro sair da longa rua reta do polo universitário, Delfina Cardoso, sentada no banco de trás, brincava silenciosamente com um brinquedo educativo.
A luz dos postes passava rapidamente pelas janelas, piscando enquanto o carro avançava.
O rostinho de Delfina era banhado pela luz e pelas sombras, alternando entre a claridade e a escuridão.
Tereza segurava o volante, concentrada no trânsito à sua frente, enquanto reservava um momento para refletir sobre a bagunça recém-resolvida de seu irmão mais velho.
— Mamãe! — A voz de Delfina soou do banco de trás.
— Sim, o que foi? — Tereza ajustou imediatamente a expressão e olhou para ela pelo espelho retrovisor.
— Você se separou do papai? — Delfina não levantou os olhos, apenas continuou girando o bloco de montar com os dedos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido
Esse livro é ótimo.......