— Será mesmo? — A testa de Norberto se franziu.
— Hã... — Sob o escrutínio do chefe, Eduardo começou a suar frio de nervosismo. Ele hesitou um instante e perguntou: — Diretor Cardoso, o senhor já amou alguém de verdade na vida?
A pergunta pegou Norberto desprevenido, e ele ficou em silêncio, apenas observando-o.
Eduardo deu um sorriso amarelo: — Ao longo dos anos em que tenho trabalhado para o senhor, vi que a maior parte do seu tempo e energia foi dedicada à sua carreira. O senhor talvez não entenda o que significa guardar alguém no fundo do coração e mimar essa pessoa, tendo medo de que ela se machuque, que sinta ciúmes, que sofra. Me perdoe, não estou questionando a sua capacidade de amar. Eu só... queria abrir os olhos do senhor para o fato de que a sua preocupação com a Diretora Lopes supera em muito o que sente pela Dra. Leal. Lógico que o senhor ama a Srta. Delfina, isso eu já notei. O senhor é muito responsável, um verdadeiro pai.
Norberto permaneceu estático, como se estivesse colado à sua cadeira de couro escuro. Ele manteve a expressão paralisada, fixando os olhos em Eduardo sem nem piscar.
As costas de Eduardo já estavam ensopadas de suor frio. Como mero funcionário, havia falado demais hoje.
Porém, o patrão quem perguntara, ele só estava respondendo. Não tinha a menor intenção de lhe dar uma lição de moral.
— Diretor Cardoso, me perdoe a intromissão — abaixou a cabeça, apavorado.
— Não — interrompeu Norberto. — Você tocou direto no ponto principal do problema. Talvez, até hoje, eu não entenda o que seja o amor.
Eduardo esboçou um leve sorriso e disse: — Diretor Cardoso, eu jurava que o senhor entendia. O jeito como o senhor se porta com a Diretora Lopes... é muito parecido com as atitudes de quem ama.
Mal terminou de dizer isso, recebeu um olhar fulminante. Tremendo dos pés à cabeça, assumiu uma postura rígida, mantendo os lábios selados.
— Retire-se — ordenou Norberto, cuja voz soava desgastada.
— Sim! — Eduardo deu as costas e marchou a passos largos para fora do escritório, com medo de que um mero segundo a mais o fizesse perder o emprego.
A mente de Norberto ficou completamente em branco. Ele se levantou e caminhou até a janela.
Ao lembrar do sorriso sincero que Tereza direcionara a Tristan nas fotos, o incêndio dentro dele só fez crescer, deixando-o até com a boca seca.
Pegou o celular e buscou o contato de Tereza, mas seus dedos hesitaram e ele não teve coragem de ligar.
Se ele ligasse para ela àquela altura, que tipo de justificativa usaria?
Será que era mesmo como Eduardo dissera? Tinham se isolado para trocar carícias?
O escritório estava num silêncio absoluto. Tão silencioso que Norberto conseguia escutar o próprio coração bater como um tambor. Tum-tum, de forma grave e agonizante, como se houvesse algo o comprimindo.
Ele se virou e voltou à cadeira do escritório. Tentou continuar revisando documentos, mas percebeu que já não tinha a menor cabeça para aquilo.
Ao anoitecer, Hera avisou que Dona Zara tinha feito o jantar e que a mãe delas estava comendo por lá. Perguntou se Norberto queria se juntar a elas, mas ele recusou.
Hera fitou a tela do celular por alguns segundos, o coração despencando no peito.
O dia seguinte era domingo. Tereza precisava fazer um plantão na clínica. Logo pela manhã, o casal Filomena Junqueira e Flávio Leal veio buscar Delfina, e Tereza seguiu cedo para o trabalho.
Com as consultas da manhã finalizadas, Tereza tinha uma hora para almoçar e descansar. Foi exatamente nesse momento que a figura de Jessica apareceu à sua frente. Tereza mal tinha pego uma marmita no refeitório. Ao vê-la, levantou-se e perguntou: — Mãe, o que a senhora faz aqui?
— Venha lá fora comigo, precisamos conversar — disse Jessica. Ver a expressão limpa e impassível de Tereza a incomodou ainda mais. Após jogar aquelas palavras, virou as costas e se retirou.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido
Esse livro é ótimo.......