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Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido romance Capítulo 429

Eduardo caminhava logo ao lado e, seguindo o olhar de Norberto, apressou-se em fingir que estava mexendo no celular.

Com uma das mãos no bolso, Norberto encarou as rosas, sentindo como se algo em seu peito tivesse sido brutalmente derrubado com um chute.

— Diretor Cardoso, a reunião está prestes a começar — alertou Eduardo, forçando-se a quebrar o silêncio.

Norberto desviou o olhar e caminhou para dentro da sala de reuniões.

Tereza estava sentada ao lado de Henrique. Os dois conversavam sobre algum assunto desconhecido, exibindo uma naturalidade desconcertante.

A sala estava repleta de altos executivos da Vitalis Futuro, além de alguns vice-presidentes do grupo encarregados da ligação com a empresa. Quando Norberto adentrou, as expressões de todos ficaram tensas, e o ambiente mergulhou em um silêncio absoluto instantaneamente.

Norberto escolheu um assento lateral, que, por obra do acaso, ficava bem de frente para Tereza. Bastava erguer os olhos para encará-la.

Com o início da reunião, Henrique tomou a palavra como palestrante principal. Posicionado em frente à tela de projeção, ele passava os slides em um ritmo calmo, com cada frase atingindo exatamente o cerne da questão.

O olhar de Norberto vagava sutilmente para Tereza do outro lado da mesa. O que Henrique estava dizendo não importava, ele simplesmente não absorveu uma única palavra da apresentação.

Seus olhos focaram nas mãos dela enquanto escrevia com a caneta. Naqueles dedos longos, brancos e delicados, a aliança de casamento que antes adornava o anelar de sua mão esquerda havia sumido. Agora, havia apenas um vazio no lugar onde o anel costumava estar.

Tereza já havia sentido o olhar intenso focado nela, mas decidiu simplesmente ignorá-lo.

Após Henrique concluir uma parte da apresentação, chegou a vez do departamento de pesquisa e desenvolvimento. Tereza subiu ao palco com uma postura serena. Como precisava encarar a plateia, os seus olhos inevitavelmente se encontraram com os de Norberto, repletos de emoções contidas.

Ela franziu levemente as sobrancelhas, ignorou a troca de olhares, concluiu todo o seu discurso e, em seguida, perguntou se alguém na sala tinha alguma objeção.

A sala permaneceu em silêncio por alguns segundos, até que alguém levantou dois dilemas técnicos, os quais Tereza respondeu com maestria sem descer do palco.

Norberto manteve os olhos baixos, fixos nos documentos à sua frente, sem proferir uma única palavra o tempo todo. Porém, notou algo que lhe chamou a atenção: aquele jovem técnico, do outro lado, parecia fazer perguntas propositalmente difíceis para Tereza, exibindo no olhar um brilho ávido por atenção. Aquela cena o pegou de surpresa, provocando nele uma sensação estranhamente familiar. Não era exatamente o que ele tentara fazer há sete anos, quando subira ao palco com a intenção de constrangê-la?

A sensação era inegavelmente familiar.

— Não.

A expressão de Norberto enrijeceu instantaneamente.

— Norberto, foque nos seus próprios problemas e pare de se intrometer na minha vida — disparou Tereza, em um tom gelado, percebendo que ele procurava qualquer motivo para iniciar uma conversa fútil.

— Você assina os papéis do divórcio e, logo em seguida, sai para jantar com outro homem e recebe flores dele. Tereza, você também não tem o mínimo de respeito pelo nosso casamento — comentou Norberto, que, sem palavras com aquela resposta atravessada, acabou soltando um sorriso autodepreciativo.

— O acordo já foi assinado, só nos resta uma formalidade a cumprir. Minha vida não exige mais qualquer explicação da minha parte para você — Tereza apoiou as duas mãos sobre a mesa, fitando-o com um ar de desdém superior.

— Eu acho que nunca te dei rosas. Pelo visto, eu realmente não entendo de romance, ajo como uma peça de museu — confessou Norberto, soltando um sorriso amargo após um silêncio que durou alguns segundos.

— Você não tem nenhuma necessidade de me dizer esse tipo de coisa — retrucou Tereza, encarando-o com um sorriso frio.

— Tereza... — O pomo de adão de Norberto moveu-se involuntariamente enquanto ele a chamava.

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