Tereza Leal não esperava que Norberto Cardoso tivesse tamanha audácia de lhe fazer um pedido tão diretamente.
— Se o Diretor Cardoso quer beber algo, pode pedir ao seu assistente que traga, eu...
— Eduardo Barreto não veio, eu dirigi até aqui sozinho. — Norberto retrucou de imediato. — Por favor.
Tereza abriu a boca, mas foi taxativa na recusa.
— Sinto muito, mas não posso te ajudar com isso.
Ouvindo a conversa, a expressão de Tristan Guedes ganhou um tom de estranheza.
Norberto não esperava uma recusa tão categórica de Tereza. Não era apenas trazer um pequeno café? Era algo tão simples, e mesmo assim, ela não estava disposta.
— Então, eu trago para vocês. — Norberto levantou-se, decidindo fazer ele mesmo o trajeto.
— Ótimo, então vou dar trabalho ao Diretor Cardoso. Quero um café com leite, e ele, um americano gelado. — Tereza respondeu sem hesitar.
Tristan ficou um pouco constrangido e logo se ofereceu.
— Talvez seja melhor eu ir.
Norberto respondeu com frieza.
— Não é necessário, eu mesmo vou.
Dito isso, Norberto virou-se e partiu. Naquele instante, sentiu os passos estranhamente pesados.
Ali, ele era, de fato, a pessoa que sobrava.
Tereza ignorou a partida de Norberto, apenas com a expressão um pouco mais fria.
Tristan deu um sorriso leve.
— Tereza, será que o Diretor Cardoso ficou chateado?
— E que motivos ele teria? Quem se atrasou foi ele, quem não cumpriu com a palavra foi ele, e quem se ofereceu para comprar o café, também. — Tereza, no entanto, não dava a mínima para os sentimentos atuais de Norberto.
Ao ouvir aquelas palavras, o olhar de Tristan aprofundou-se enquanto a observava.
— As coisas entre você e o Diretor Cardoso... chegaram mesmo a esse ponto?
Tereza olhou para a filha a não muita distância e murmurou.
— Talvez não possamos nos separar por enquanto. A condição dela exige o cuidado de nós dois, mas, assim que ela estiver curada, com certeza daremos esse passo.
Com um olhar complexo, Norberto encarou Tereza e declarou.
— Já faz um tempo que não visito os meus sogros. Vou almoçar lá com vocês.
Tereza pensou em recusar, mas Delfina ainda erguia o rostinho, transbordando expectativa.
— Tudo bem, eu levo a Delfina primeiro e você vai depois. — No fim, Tereza não teve coração para dizer não à filha.
Norberto assentiu.
— Certo!
Delfina seguiu com Tereza primeiro para a casa da Família Leal. Início de setembro, o sol brilhava agradável.
No pequeno quintal da Família Leal, Filomena Junqueira e a empregada preparavam o almoço. O som das panelas e o aroma da comida traziam uma sensação acolhedora de lar.
Flávio Leal estava sentado no quintal tomando sol e brincando com seu passarinho. Ao erguer os olhos e ver o carro de Tereza, levantou-se apressado.
— Vovô... — Delfina, que sentira muita falta da família durante a viagem, correu o mais rápido que suas perninhas curtas permitiam e se jogou nos braços dele.
Flávio a abraçou, notando que, depois daquela viagem, ela parecia até ter ganhado um pouco de peso. Aquilo deixava claro o quanto ela havia se divertido.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido
Esse livro é ótimo.......