A expressão de Hera congelou. Ela imaginava que a primeira reação de Norberto ao saber que ela carregava herdeiros da Família Cardoso seria de pura alegria. Jamais esperava que ele trouxesse à tona o episódio do terceiro andar.
— Norberto, eu... eu bebi demais naquele dia, nem me lembro do que falei — gaguejou Hera, levando a mão à testa, numa demonstração ensaiada de desconforto e dor.
— Você disse que tinha medo de que a avó a expulsasse do país e que precisava de um filho para garantir o seu lugar na Família Cardoso. Você me atraiu até o terceiro andar e me disse coisas totalmente inapropriadas — retrucou Norberto, mantendo a severidade implacável no olhar.
Hera pareceu se encolher de pavor. Tremendo levemente, com os olhos transbordando em lágrimas, ela abaixou a cabeça e escondeu o rosto entre as mãos, a voz embargada pelos soluços: — Me perdoe... Me perdoe, Norberto. Eu estava tão apavorada naquele dia... por isso cometi aquela loucura. Por favor, não fique bravo comigo, eu não fiz por mal.
Norberto observou a mulher banhada em prantos à sua frente. A angústia estampada no rosto dela era palpável, e seu choro despertava a mesma compaixão de sempre. No entanto, por alguma razão inexplicável, ele sentiu a incômoda sensação de estar sendo manipulado.
— Hera, você já havia preservado os embriões com o meu irmão. O que você fez naquele dia passou dos limites — advertiu ele em um tom sombrio. — Além disso, Tereza escutou tudo o que aconteceu no terceiro andar. Ela tocou nesse assunto há alguns dias. Vá e esclareça tudo com ela.
— Ah? Como a Tereza escutou? Tenho certeza de que não havia mais ninguém no terceiro andar naquele dia! — O choque deixou os dedos de Hera gelados. Ligando os pontos, ela percebeu que a mudança brusca na atitude de Tereza só poderia ter começado quando ela escutara a conversa dos dois às escondidas.
— A Tereza... ela com certeza interpretou tudo errado. E agora, Norberto, o que vamos fazer? — desesperou-se Hera, desorientada e mortalmente pálida de ansiedade.
Norberto a observou por um longo tempo antes de quebrar o silêncio: — Sobre a gravidez... Por que você não conversou com a nossa mãe antes de se submeter ao procedimento por conta própria? Isso não é algo banal. Você deveria ter discutido o assunto conosco primeiro.
Com os olhos marejados de pânico e desamparo, Hera deixou as lágrimas rolarem livremente por seu rosto: — Se eu tivesse contado, a avó nunca teria permitido que eu engravidasse dessas duas crianças. A única coisa que ela quer é que eu suma da Família Cardoso o mais rápido possível. Me perdoe, Norberto, eu também agi por egoísmo ao tomar essa decisão.
Norberto não engoliu a desculpa, e suas feições tornaram-se ainda mais severas: — Essas crianças são os últimos herdeiros do meu irmão. Se você decidiu trazê-las ao mundo, tenho certeza de que nem a minha mãe, nem a minha avó, ficariam ofendidas ou culpariam você por isso.
— E quanto a você? — perguntou Hera, encarando-o fixamente com os olhos úmidos e suplicantes. — Você ficaria com raiva?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido
Esse livro é ótimo.......