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Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido romance Capítulo 325

— Mãe, estou mesmo a caminho da Igreja da Paz. Não se preocupe, é que a pressão no trabalho está imensa ultimamente, e eu precisava de um tempo sozinha para espairecer e respirar um pouco. Como a data da morte do meu pai também chegou, resolvi aproveitar.

— E por que foi sozinha? Sem assistente, sem seguranças? — perguntou Jessica, preocupada.

— Mãe, não gosto de gente estranha me seguindo. É bom estar sozinha, me traz paz. Pode ficar tranquila. — A voz de Hera permanecia suave e compreensiva.

— Menina... Como é que você quer que eu fique tranquila? — O coração de Jessica apertou-se em apreensão.

— Mãe, estou na via expressa agora. Não posso falar muito, depois te ligo de volta, tá bom? — disse Hera.

— Tudo bem. Tome muito cuidado na estrada e não esqueça de me avisar quando chegar.

— Pode deixar!

Assim que encerrou a chamada, Hera colocou o celular no modo silencioso.

O carro continuou avançando, deixando a área urbana para trás, em direção à Igreja da Paz, que ficava a cento e cinquenta quilômetros de distância.

Norberto mal havia pregado os olhos durante a noite toda; só conseguira adormecer a muito custo lá pelas cinco da manhã. Eduardo já havia coordenado todos os detalhes para a decolagem do jato particular, e eles partiriam para a Suíça pontualmente às nove da manhã.

Contudo, por volta das sete da manhã, Norberto foi despertado pelo toque do telefone.

Com o cenho franzido, ele tateou em busca do aparelho. Olhou para a tela: era Dona Zara.

— Sr. Norberto, a senhorita Hera saiu de carro bem cedo, sozinha. Disse que ia rezar pelo pai, mas foi por conta própria. Agora não sabemos onde ela está, e ela não atende mais o telefone.

O sono de Norberto dissipou-se no mesmo instante.

Ele se apoiou nos braços e sentou-se na cama.

Hera estava fazendo besteira de novo.

— Ela mencionou para qual igreja iria? — perguntou Norberto, massageando as têmporas. — Foi para a Igreja da Paz?

A voz de Dona Zara ecoou do outro lado:

— A senhorita não disse, Sr. Norberto. Mas o senhor não a acompanhava sempre no passado? Deve saber melhor do que eu.

Norberto segurou o telefone e permaneceu em silêncio por dois segundos.

— Entendido.

Ele encerrou a chamada e discou imediatamente para Eduardo:

— Suspenda a decolagem. Tenho um assunto urgente para resolver primeiro.

Eduardo já havia aprovado o plano de voo e ficou atônito ao ouvir que seria cancelado:

— Que tipo de assunto, Diretor Cardoso?

Norberto respondeu sem rodeios:

— Hera saiu de carro sozinha esta manhã e não atende o celular. Traga dois seguranças e venha me buscar agora mesmo.

Norberto apenas acenou com a cabeça, em silêncio.

Hera andava extremamente deprimida por causa das fofocas correndo pela empresa, e Norberto sabia muito bem disso. O fato de ela ter sumido sozinha repentinamente o deixava deveras apreensivo.

Desde que Hera era pequena, Norberto conhecia seu orgulho e sua teimosia em sempre querer ser a melhor. No passado, com o apoio da Família Cardoso, Hera tinha uma vida tranquila, livre de grandes fracassos.

Porém, após a morte de seu irmão mais velho, ela teve que assumir a empresa e sofreu um golpe atrás do outro. O coração de Norberto apertava-se de pena.

Doía-lhe ver o sorriso radiante de Hera desvanecer aos poucos, substituído pela incerteza sobre o futuro e por uma obsessão com o sucesso profissional. Ele odiava a ideia de vê-la carregar todo aquele peso sozinha.

Ele acreditava piamente que, se seu irmão mais velho ainda estivesse vivo, estaria fazendo exatamente o que ele estava fazendo agora: protegendo-a.

Assim que o carro deixou a rodovia, Eduardo recebeu uma notificação no celular referente à investigação que havia solicitado. Seus olhos se arregalaram. Ele espiou pelo espelho retrovisor para checar a expressão de Norberto, antes de relatar, cauteloso:

— Diretor Cardoso, sobre a informação que o senhor me mandou investigar a respeito do Sr. Guedes... Acabamos de descobrir algo.

— Fale. — As pálpebras de Norberto finalmente se abriram, revelando um lampejo de pura frieza em seus olhos.

— Soubemos por um de seus colegas que o Sr. Guedes tirou folga hoje. Ele não sabia exatamente para onde ele foi, mas se ofereceu para tentar descobrir por nós. — Assim que Eduardo terminou de falar, a temperatura dentro do veículo pareceu despencar, e um silêncio mortal reinou no banco de trás.

Demorou uma eternidade até que Norberto emitisse um som de assentimento, perdido em seus próprios pensamentos sombrios.

Eduardo olhou para a estrada sinuosa da montanha à frente e depois para a tela do celular. Concluiu que o Diretor Cardoso devia estar passando por um dilema interno gigantesco. Era para ele estar dentro de um jato particular agora, voando para fora do país atrás da esposa. Em vez disso, agia como se estivesse enfeitiçado, adentrando as montanhas atrás da Diretora Lopes. Era difícil saber para onde o coração do Diretor Cardoso realmente queria ir.

Hera finalmente havia chegado à entrada da igreja, com o rosto encharcado de suor.

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