Será que esta casa realmente precisava ser governada apenas pelas vontades da avó?
Norberto pegou um carro e foi até a Família Leal. Quando Delfina viu o pai chegar, não coube em si de tanta felicidade. Filomena e Flávio trocaram olhares significativos à distância.
— Pai, mãe, desculpem incomodar vocês cuidando da Delfina nestes últimos dois dias. Eu vim buscá-la. — disse Norberto, com um tom de voz suave.
Filomena questionou:
— Como você vai cuidar dela sozinho? É melhor deixá-la aqui comigo.
— Avó, o papai não vai cuidar de mim sozinho, nós podemos procurar a mamãe juntos! — disse Delfina, piscando ingenuamente, com um sorriso no rosto.
Ao ver o olhar puro e inocente da criança, Filomena sentiu uma onda de irritação.
Uma família que antes parecia perfeita estava agora à beira do colapso. Sobre a questão da culpa, Filomena acreditava, na verdade, que a responsabilidade era de ambos.
Tereza havia mergulhado cegamente no casamento, e Norberto não estava minimamente preparado para ele. Sendo duas pessoas sem nenhuma base amorosa prévia, como acabaram tendo um bebê tão rápido?
Filomena lembrava-se de que, na época, alertava incansavelmente a filha: que ela deveria simplesmente aproveitar a vida de casada e, acima de tudo, tomar muito cuidado para não engravidar cedo demais, por uma questão de responsabilidade com a próxima geração.
Mas Tereza não deu ouvidos ao conselho, e antes mesmo de completar um ano de casada, engravidou.
No começo, Norberto pareceu muito feliz com a chegada da criança. Nos primeiros anos, quando a menina ainda era pequena, eles aparentavam ser uma família completa e razoavelmente feliz. Os sogros eram compreensivos e os mais velhos lhes davam as suas bênçãos. Tirando o fato de a criança ter uma doença cardíaca congênita, não havia muito com o que se preocupar.
— Norberto, você está com pressa para ir embora? — A paciência de Filomena havia chegado ao limite. O carinho que sentia antes por aquele genro competente e humilde transformou-se em pura indignação.
— Não, mãe, não tenho pressa. — Norberto respondeu com um sorriso educado.
— Então venha até aqui fora, preciso falar com você.
Filomena saiu primeiro em direção ao quintal. Norberto vacilou por um instante, mas acabou a seguindo.
— Pode falar, mãe. — Norberto sempre teve muito respeito pela sua sogra.
Filomena parou, virou-se para ele, e seu olhar já estava muito mais frio.
— Norberto, eu queria conversar com você sobre o que está acontecendo entre você e a Tereza.
A expressão de Norberto congelou por um instante, e o seu pomo de adão se moveu.
— Certo, pode falar.
Filomena não perdeu tempo com rodeios e perguntou diretamente:
O belo rosto de Norberto empalideceu. Ele abaixou a cabeça e se calou.
Filomena fechou os olhos, tentando conter suas emoções:
— Olhem para o estado de vocês dois agora: separados, em guerra fria. Até quando ela se machucou e foi parar no hospital, você sumiu sem deixar rastros. Norberto, o que você quer que eu diga? O que significa ser marido e mulher? Quando ela mais precisa de você, você está ausente. Você não tem sido capaz de cumprir com as suas obrigações como marido.
O semblante de Norberto vacilou, como se quisesse dizer algo, mas acabou se contendo.
— Não precisa tentar me explicar nada. — Filomena levantou a mão, cortando o assunto. — Eu não quero saber por causa de quem você se tornou tão indiferente e frio. Só quero saber o que você pretende fazer a partir de agora.
Norberto cerrou os lábios, permaneceu em silêncio por um longo tempo, até que a sua voz saiu ligeiramente rouca:
— Mãe, eu não quero aprisioná-la. Mas a Delfina ainda é muito pequena.
— Sim, a criança é uma questão importante, de fato a mais crucial de todas. — Filomena se alterou um pouco, assentindo nervosamente. — Como pais, os filhos vêm em primeiro lugar. Mas... você precisa se decidir rápido. Se você não ama a minha filha, devolva a liberdade a ela. Ela ainda é jovem, pode recomeçar. Eu quero que ela volte para perto de mim.
Norberto sentiu uma pontada no peito, como se o seu coração tivesse sido espetado, e as suas mãos se fecharam instintivamente.
Bastava ele assinar os papéis do divórcio e, num piscar de olhos, a Sra. Cardoso se tornaria a Sra. Leal.
— É claro, a Delfina está doente e entendo que vocês precisem evitar mudanças bruscas pelo bem emocional dela, e que talvez não possam se separar agora. Essa é a minha segunda opção. — Filomena limpou as lágrimas que escorriam pelo seu rosto, encarando-o fixamente. — Se o divórcio realmente não for possível no momento, então assinem um acordo pós-nupcial.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido
Esse livro é ótimo.......