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Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido romance Capítulo 298

— Avó! — Norberto ficou furioso na mesma hora. — Eu sei que você não gosta da Hera, acha que ela não pertence à Família Cardoso, mas durante mais de dez anos ela nunca nos traiu. Por que a senhora precisa ser tão implacável com ela?

— Você é um tolo! — A avó levantou-se irritada, apontando o dedo na cara dele. — Você abandonou a sua esposa no hospital ontem para ir a uma festinha de cruzeiro. Não tem medo de ser motivo de piada?

— Quem ousaria? — O rosto de Norberto escureceu. — Foi apenas um compromisso normal de negócios. Por que haveria motivo para piada?

A velha senhora olhou para ele, com decepção, tristeza e um ar de cansaço nos olhos.

Dizem que não se pode acordar quem finge estar dormindo, e agora ela via que era verdade.

— Norberto! — O tom da avó suavizou um pouco. — Espero que você saiba muito bem o que está fazendo.

Com um olhar frio, Norberto pareceu não se importar.

— Se você continuar com essa confusão mental, tome cuidado para não perder a sua esposa. — A avó apontou o dedo novamente. — E quando isso acontecer, não conte com a minha ajuda para correr atrás dela.

Norberto respondeu com um tom tranquilo:

— Se ela quiser ir, por que eu correria atrás? No que diz respeito a relacionamentos, eu nunca forço ninguém a nada e não faço questão.

Ouvindo aquelas palavras, a avó quase desmaiou de raiva. Acertou dois socos no braço do neto e disparou:

— Seu moleque insolente, é bom você cuidar muito bem da Tereza. Não se esqueça de tudo o que ela trouxe de bom para o grupo e para a Apex. Não faça besteira.

Dito isso, a velha senhora virou as costas e saiu. Norberto continuou parado no mesmo lugar, imóvel.

Assim que soube que a avó havia saído da mansão principal, Hera correu para lá.

Ela pegou a caixa de couro no quarto e a levou para o lado de fora, perto da lixeira onde antigamente haviam queimado as coisas do Alarico. Lá, ateou fogo e deixou a caixa ser consumida pelas chamas.

O fogo devorou a parte gravada com as letras sfa, transformando tudo em cinzas.

Dona Lídia observava ao lado, colocando mais um pouco de lenha, sem ousar perguntar uma palavra sequer.

Hera observava as chamas, com um leve curvar nos lábios.

Finalmente, ela se virou, enfiou um bracelete de ouro na mão de Dona Lídia e implorou:

— Dona Lídia, se alguém perguntar sobre essa caixa, por favor, guarde segredo.

Dona Lídia hesitou, mas, motivada pelo bracelete de ouro, assentiu:

— Claro, senhorita. Parece que não havia nada de valor lá dentro.

— Realmente, não havia. — disse Hera, e então se virou para sair.

Ela estava prestes a entrar no carro para deixar a mansão quando, de forma inesperada, a van da velha senhora retornou repentinamente. O coração de Hera deu um salto. Ela tentou apressadamente desviar o carro, mas a van atravessou na sua frente, bloqueando completamente a saída.

O coração de Hera disparou. Ela saiu do carro depressa e curvou-se em direção à porta da van, nervosa e desajeitada:

— Avó!

A velha senhora abriu a porta, desceu e a mediu com o olhar.

O rosto de Hera ficou pálido de pavor. A velha percebia tudo.

— Avó, acho que deve haver algum mal-entendido nisso tudo. — Hera forçou um sorriso para tentar se explicar.

— Não nutra ilusões sobre o Norberto. Caso contrário, eu não terei pena de você.

— Avó, eu não... — As lágrimas de Hera começaram a cair, de tanto medo. — Avó, eu juro que não tenho.

— Você não tem? Tem certeza disso? — A idosa cravou um olhar afiado em seus olhos. — Tem coragem de jurar?

— Eu juro. — Hera levantou a mão direita sem pensar duas vezes. — Se eu tiver um pingo de má intenção, que eu morra de uma forma horrível.

Aquela atitude repentina surpreendeu a velha senhora. Ela era, de fato, uma mulher implacável.

Tão implacável que era capaz de amaldiçoar a si mesma.

Quanto mais ela agia assim, mais a idosa a considerava perigosa. Uma mulher tão dissimulada realmente não deveria continuar na Família Cardoso. Precisava expulsá-la para poder ter paz.

— Já chega. — A avó levantou a mão para detê-la. — Não quero ouvir palavras tão vazias e sem sinceridade.

Hera ficou ainda mais apavorada:

— Avó, eu prometo a você que nunca mais farei nada inapropriado.

— Não quero escutar seus juramentos, nem as suas promessas. Continuo decidida a casá-la. Se o rapaz da Família Andrade não serve, a Família Costa, a Família Almeida... Algum deles há de servir.

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