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Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido romance Capítulo 287

Uma expressão de ansiedade tomou conta do rosto belo de Norberto. Ele ligou depressa para Eduardo, ordenando que rastreasse o paradeiro de Hera imediatamente. Após mais de dez minutos de busca, Eduardo retornou a ligação informando que não encontrara nada, apenas descobriu que Hera havia deixado a Apex por volta das três da tarde, desaparecendo em seguida.

— Continue procurando. — exigiu ele, ao receber essa notícia, com sua aura pesada e hostil intensificando-se no mesmo instante.

O céu lá fora já havia escurecido quando Tereza acordou subitamente no quarto do hospital. Ela acabara de ter um sonho com a noite de núpcias. Nele, Norberto chegava tarde da noite, completamente embriagado, pegava um cobertor, deitava-se no sofá e, com uma voz extremamente suave e educada, dizia para ela ir dormir cedo.

Ao abrir os olhos, Tereza notou que o ambiente ao redor estava assustadoramente silencioso.

O cheiro de desinfetante impregnava o ar por toda parte. Pela fresta da janela entreaberta, podia-se ver o céu escurecendo e ouvir o leve zumbido da cidade ao longe.

— Dra. Leal, como você está? Ainda dói? — Kesia abriu a porta apressadamente nesse momento, segurando embalagens de comida, e perguntou com o coração apertado ao ver Tereza sentada na beirada da cama.

— Já não dói mais. Você viu o Norberto a caminho daqui? — Tereza respondeu com um sorriso.

— Não vi. O Diretor Cardoso também está aqui? Que desastre, não trouxe jantar para ele, só comprei o seu. — Kesia hesitou antes de responder honestamente.

Tereza lançou um olhar para o corredor, onde já se viam as silhuetas de vários seguranças patrulhando.

— Não precisa, ele mesmo vai atrás de comida. — disse ela.

— Hahaha! — Kesia riu. — Só os animais do Discovery Channel vão atrás de comida, o Diretor Cardoso, pelo menos, é um ser humano.

— Para mim, ele não é muito diferente de um animal. — zombou Tereza friamente.

Kesia pensou na relação cada vez mais distante entre os dois e, de repente, perdeu a vontade de rir.

Saber que Norberto estava ali deixava Kesia um tanto nervosa, ela temia que ele aparecesse de repente e que precisasse se retirar para não atrapalhar.

Sentado no carro, Norberto observava o céu escurecendo. Imaginava que, a essa hora, Tereza já deveria ter acordado e que ele precisaria estar no hospital fazendo-lhe companhia, mas havia uma tensão inegável apertando o seu coração.

O celular vibrou novamente.

Era uma ligação de Eduardo.

— Diretor Cardoso, consegui descobrir! — exclamou ele.

— Fale! — ordenou Norberto.

— A Diretora Lopes saiu da empresa e foi para a zona oeste. Lá, pegou uma van e seguiu direto para o Cais Leste, sem registros de que tenha saído de lá. É provável que ela tenha embarcado no Iate Via Láctea, que zarpou às sete da noite. O destino é o alto-mar, em uma viagem de dois dias e uma noite. — A voz de Eduardo soou pelo telefone, carregada de ansiedade e pressa.

Dois dias e uma noite? Alto-mar?

Essas palavras fizeram a expressão de Norberto se fechar.

Hera era uma pessoa extremamente medrosa, como poderia embarcar sozinha em um cruzeiro?

O que ela estava tentando fazer?

Afinal, qual era o objetivo dela?

— Diretor Cardoso! — A voz de Eduardo trouxe Norberto de volta de seus pensamentos agitados.

Fora ele quem se aproximara, segurara a sua mãozinha e a conduzira para dentro de casa.

Lembrou-se de que, na época, ela parecia um coelhinho assustado, com os dedinhos tremendo na palma da sua mão.

Mais tarde, ela se casou com o irmão mais velho, tornando-se, no papel, a senhora principal da Família Cardoso. Um sorriso de alívio passou a habitar o seu rosto, mas Norberto ainda conseguia enxergar o medo em seus olhos e a forma cautelosa com que tentava agradar a todos.

O medo de ser abandonada e o terror de não ser aceita, apesar de todos os seus esforços, deixavam claro para Norberto que ela era uma mulher extremamente medrosa.

Agora, sozinha, com o celular desligado, ela havia embarcado sem dar satisfações a ninguém. Norberto temia profundamente que algo ruim tivesse acontecido, como se houvesse uma armadilha escondida no nevoeiro na qual ela estivesse prestes a cair.

Às sete e três da noite, Norberto chegou ao Cais Leste.

Ele abriu a porta do carro e, acompanhado apenas do motorista e de dois seguranças, praticamente correu em direção à passarela de embarque.

O píer estava totalmente iluminado, e a brisa do mar trazia consigo aquele cheiro salgado e característico.

Após o Iate Via Láctea receber o último grupo de convidados, a tripulação começou a recolher a passarela e as cordas, preparando-se para a partida.

Parado no convés, Norberto olhou para trás, em direção à margem que se distanciava. Com os lábios finos e cerrados, caminhou com firmeza em direção ao salão principal.

O barco começou a se mover lentamente, e, em poucos minutos, já estava bem distante do cais.

— Vá ao hospital e ajude a Tereza a se livrar daqueles repórteres irritantes. E lembre-se: não saia de lá. Ajude-a no que ela precisar. — Norberto, parado na entrada, lembrou-se de algo importante de repente e ligou para Eduardo.

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