— Não diga nada, não quero que ela se preocupe comigo. — disse Tereza.
— Quantos dias você vai ficar aqui? E se a Delfina quiser te ver? — Norberto finalmente se virou para falar com ela.
Foi nesse momento que Tereza parou de massagear a cintura e puxou a camisa para baixo, cobrindo a pele da região. Ao notar esse pequeno gesto, o olhar de Norberto escureceu instantaneamente.
— Dê um jeito de acalmá-la. — Tereza simplesmente exigiu.
— Tudo bem, vou dar um jeito. Mas, se eu não conseguir evitar, não será de todo mau que a Delfina saiba que você se machucou. Somos uma família, não deveríamos esconder tudo. — Norberto franziu a testa.
Tereza não compreendeu bem o que ele queria dizer com aquilo, apenas deu um sorriso frio e irônico em seu íntimo.
Quantos segredos inconfessáveis o próprio Norberto escondia? Ele teria coragem de contá-los à família?
Acaso não os ocultava com perfeição? E não vinha fazendo isso há mais de dez anos?
— Você não precisa me ensinar sobre isso. — A voz de Tereza soou fria.
O incêndio na fábrica farmacêutica já havia alertado os repórteres. Quando descobriram que Tereza, chefe do departamento de pesquisa e desenvolvimento da Vitalis Futuro, estava no local e havia escapado por pouco da morte, o caso chamou a atenção da mídia imediatamente.
Como resultado, enquanto Tereza ainda estava deitada no quarto do hospital, repórteres já se esgueiravam do lado de fora em busca de notícias exclusivas.
— Devem ser os repórteres que vieram correndo atrás da notícia. — disse Norberto de braços cruzados, observando as sombras no corredor lá fora, o que sobressaltou Tereza enquanto os dois ainda mantinham um silêncio tenso no quarto.
Ao ouvir isso, Tereza sentiu-se impotente. A imprensa fazia de tudo por uma manchete, e Tereza sabia que conter aquilo não seria simples.
— Não se preocupe, vou mandar seguranças lidarem com isso agora mesmo. — Após dizer isso, Norberto ligou diretamente para Eduardo, ordenando que ele afastasse os repórteres do lado de fora rapidamente para evitar repercussões negativas.
Eduardo agiu de imediato, trazendo os seguranças para liberar a área. Àquela altura, já passava das quatro da tarde. Delfina ligou para perguntar se Tereza voltaria para a casa da avó para jantar. Tereza inventou uma desculpa, dizendo que tinha um compromisso e não poderia ir, e Delfina não insistiu no assunto.
Filomena e Flávio já haviam recebido a notícia. Para evitar que se preocupassem demais, Tereza contou-lhes detalhadamente sobre a sua situação. Filomena e Flávio disseram para ela focar em descansar, garantindo que cuidariam bem da criança.
— O que você quer comer? Vou pedir para a Dona Lígia preparar e mandar entregar aqui. — perguntou Norberto, olhando para o relógio assim que Tereza terminou a ligação.
Depois de todo aquele alvoroço, Tereza estava com um pouco de fome, mas não queria depender de Norberto.
— Vou pedir para a minha assistente trazer algo para comer. Se você tem coisas a fazer, pode ir embora. — ela declarou.
Com os braços cruzados, Norberto encostou-se na cadeira, observando Tereza adormecida sem piscar.
Pensando que, naqueles sete anos, as vezes em que dividiram a cama foram limitadas, ele percebeu que quase nunca a vira dormir. Naquele momento, Norberto levantou-se, deu a volta na cama e, sob a luz do sol poente, contemplou o semblante sereno de Tereza.
Adormecida, ela perdia aquela agressividade afiada e ganhava uma delicadeza mais condizente com a sua idade.
Ao notar a leve redondeza infantil que ainda resistia em seu rosto oval, Norberto sentiu um sobressalto no olhar. Pensando bem, Tereza tinha apenas vinte e sete anos. Mas, por algum motivo, desde que haviam assinado o acordo de casamento e do projeto, o talento e a capacidade técnica que ela demonstrava transmitiam uma maturidade e uma imponência que o faziam esquecer a sua verdadeira idade.
Como se tivesse descoberto algo novo, Norberto encostou-se na parede próxima de braços cruzados, observando-a em silêncio.
Ele se lembrou de quando Caio a elogiou efusivamente, dizendo que ela era muito bonita. Naquela ocasião, Norberto não concordou, achava que Tereza era apenas comum. Mas, analisando com cuidado agora, os traços de seu rosto a tornavam, de fato, uma beldade rara.
O celular de Norberto apitou com uma nova mensagem bem nesse momento. Para não atrapalhar o descanso de Tereza, ele saiu rapidamente do quarto antes de verificar o aparelho.
Era uma mensagem de Dona Zara: "Sr. Norberto, não consigo falar com a Dona Hera. Não sei onde ela está e o celular está desligado."
A expressão de Norberto mudou. Imediatamente, ele ligou para o número de Hera, mas o aparelho estava fora de área.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido
Esse livro é ótimo.......