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Senhor Ex-Marido, quer que eu te salve? Se ajoelhe! romance Capítulo 31

POV Zayden

As palavras saíram de mim antes que eu pudesse contê-las. Um susurro rouco, uma confissão arrancada das entranhas, daquele lugar escuro e desesperado que só ela era capaz de tocar.

—Eu não consigo te deixar ir.

Era a verdade mais crua que eu possuía. A única que importava, mesmo que ela a tratasse como uma mentira. Lianna parou diante da porta, sua mão já pousada na maçaneta.

Suas costas, rígidas e retas, me diziam mais do que qualquer grito. Ela tinha ouvido. E o som da minha rendição havia a atingido como um insulto.

Eu via a tensão nos seus ombros, a maneira quase imperceptível como sua cabeça inclinou, como se lutasse contra um peso. Cada fibra do meu ser gritava para fechar a distância, para tocá-la, para provar de alguma forma que aquelas palavras não eram apenas sombra e eco.

Ela estava prestes a sair. De novo. E a ideia de ver suas costas desaparecendo pela porta mais uma vez, carregando meu mundo com ela, foi insuportável.

Algo dentro de mim estalou. A racionalidade, já frágil, desintegrou-se. O homem calculista, havia se dissipado, deixando para trás apenas um animal ferido, acuado pela perspectiva da própria extinção.

Eu fechei a distância entre nós em dois passos largos e silenciosos. Minha mão envolveu seu braço com uma firmeza que não era violenta, mas inegável. Era um ato de posse, sim, mas também de suplica. Ela congelou, o corpo todo se enrijecendo sob meu toque.

— Zayden... — O aviso saiu cortante, um fio de navalha.

Eu a girei para me encarar. Seus olhos, aqueles olhos de fogo e tormenta, estavam arregalados, não com medo, mas com uma fúria incandescente. Antes que ela pudesse soltar a tempestade que eu via se formando neles, antes que pudesse me amaldiçoar ou me golpear com mais uma verdade que me faria sangrar, eu agi.

Puxei-a contra mim e capturei sua boca com a minha.

Foi um beijo de conquista e de desespero. Não foi gentil. Não foi um pedido. Foi uma afirmação. Uma tentativa desesperada de apagar sete anos de ausência, de dor, de traição, com o único idioma que sempre nos foi comum: o fogo.

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