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Senhor Ex-Marido, quer que eu te salve? Se ajoelhe! romance Capítulo 20

POV Lianna

A sala de imprensa do hospital mais parecia um tribunal. Luzes fortes, câmeras piscando, e os jornalistas afiando canetas como quem prepara facas. Eu odiava aquele tipo de exposição, mas quando o nome do hospital estava envolvido, o dever vinha antes do desconforto.

Sentei-me na mesa principal, à direita do diretor. À esquerda… Zayden Cross. O homem que eu passei anos tentando apagar agora estava sentado a menos de um metro de mim, elegante, impassível, e com aquele maldito olhar de quem acredita que ainda tem algum poder sobre mim. Não olhei pra ele. Nem uma vez.

Meu controle era milimétrico, igual ao de uma cirurgia cardíaca.

Viviane Weber entrou atrasada, como sempre, com o salto ecoando pelo chão de mármore e um sorriso ensaiado de quem acha que está prestes a roubar a cena. Ela era o tipo de mulher que confundia autopromoção com talento. E, infelizmente, também o tipo que os jornalistas adoravam.

A entrevista começou. Perguntas sobre o novo projeto hospitalar, sobre inovação, sobre “ética médica em tempos de mídia sensacionalista”. Tudo ia bem, até que Viviane abriu a boca.

— É realmente inspirador ver o hospital investir em novos protocolos — disse ela, com aquele tom meloso que precede o veneno. — Principalmente quando temos figuras… notórias... representando nossa equipe.

Os flashes começaram a pipocar.

— Quer dizer — continuou —, nem todo mundo tem a sorte de virar notícia antes de merecer, não é, doutora Aslan?

Silêncio. Desses que fazem o oxigênio rarear. Zayden desviou o olhar, visivelmente tenso. O diretor engoliu seco. Adrian, ao fundo, cruzou os braços e me encarou com aquele olhar que dizia “Não dá corda, Lianna”.

Mas eu não dava corda... eu cortava.

— Sabe, doutora Weber — respondi, com um sorriso educado —, manchetes passam. O que fica é o bisturi firme e o paciente vivo. E nesse ponto, me sinto bastante tranquila. Sou eficiente e totalmente capacitada.

Um murmúrio percorreu a sala. Viviane arqueou as sobrancelhas, tentando manter a pose.

— Claro. Só quis dizer que a fama nem sempre é sinônimo de competência.

— Concordo. — Interrompi, sem hesitar. — Por isso prefiro resultados a holofotes. Mas talvez algumas pessoas precisem dos dois para se sentirem relevantes.

Valentina, sentada entre os convidados, quase engasgou de riso. Adrian desviou o olhar pra esconder o sorriso. Zayden, no entanto, me observava com aquela mistura doentia de orgulho e frustração.

Viviane tentou recuperar o ar:

— Imagino que seja fácil manter esse tipo de calma quando se tem… proteção influente, não é?

E então lançou o olhar venenoso para Zayden. O subtexto estava ali, nu, e as câmeras captaram tudo. Ela insinuava o que todos cochichavam: que minha volta ao hospital e minha fama vinham de uma “relação privilegiada”. A velha e nojenta narrativa do “mulher bem-sucedida porque teve um homem por trás”.

Foi a gota.

Inclinei-me sobre o microfone e falei baixo, o suficiente pra que cada sílaba cortasse o ar:

— Doutora Weber, eu não preciso de proteção. Preciso apenas de competência. E quanto à influência… bem, ela só assusta quem ainda não a conquistou.

A sala explodiu em cochichos. Valentina fez questão de aplaudir em silêncio, batendo os dedos na mesa.

Viviane sorriu de forma tensa, os olhos faiscando de raiva.

— Que resposta elegante. — ela sibilou. — Espero que sua ética combine com ela.

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