— Me solte.
Lorenzo arrastou Marisa quase até o estacionamento subterrâneo. A dor no pulso a fez franzir a testa.
O estacionamento era grande e vazio, preenchido pelo grito baixo da mulher.
O aro vermelho e quente que roçou na ponta dos dedos deixou o maxilar de Lorenzo Valli tenso.
Seus olhos escureceram. O cérebro estava cheio da cena de Gabriel Arantes segurando a mão dela no corredor. A força aumentou involuntariamente.
Marisa Arantes ficou com as bochechas vermelhas de raiva e, sem aguentar mais, empurrou-o com força. — Lorenzo Valli, você não vai parar com isso?
Havia uma irritação óbvia no tom.
Lorenzo Valli tropeçou ao ser empurrado, com surpresa nos olhos. Era a primeira vez que ouvia o nome completo dele saindo da boca dela.
Antes de casarem, ela o chamava de Sr. Valli, e depois, de Amor.
Ele se virou, e o olhar caiu sobre Marisa Arantes. — Como você me chamou?
O tom impaciente foi como um balde de água fria que apagou o fogo em seu peito.
Quem tinha sido pega em flagrante era ela, por que ela estava impaciente?
Marisa Arantes não ligou para o que ele disse. Ela esfregou o próprio pulso, o peito subindo e descendo por causa dos passos rápidos.
Ela recuperou o fôlego e falou: — Você já recebeu o acordo. Quando for conveniente, vamos ao cartório assinar o divórcio.
O tom foi indiferente, casual como se dissesse o que iria comer no jantar, sem nenhuma emoção.
Ele se lembrou do envelope pardo, do Bruno Castro dizendo "enviado pela esposa". Lembrou que nem tinha aberto, jogando-o de lado.
Depois teve reuniões, cuidou dos projetos e acabou esquecendo da existência daquilo.
Então era o acordo de divórcio.
Ela já tinha decidido se divorciar dele.
Por causa de quem?
— Essa casa sempre foi sua, nunca foi minha.
Marisa Arantes levantou os olhos, o nariz ardeu de repente e a voz embargou: — Não tenho mais nenhum lar para chamar de meu.
Isso, ela não tinha mais casa.
O pai não estava mais aqui. Ela não tinha mais parentes no mundo.
A enorme Capital era brilhante. Todos tinham onde se apoiar, menos ela.
Ela tinha sido ingênua ao achar que podia aquecer o coração de Lorenzo Valli. Era cuidadosa em tudo, tentava aprender sobre chá, regras, coisas que não sabia fazer, moldando-se até ser o que ele gostava.
Ela queria proteger o pai, o casamento, mas no fim o resultado foi esse.
Não conseguiu proteger nada. Parecia uma inútil.
Reprimiu a dor com força, engoliu o choro. Não queria que Lorenzo Valli a visse daquele jeito.
Ela o encarou, com um tom teimoso: — Eu não vou voltar. Já me mudei, e não peguei nada seu. — Ela fez uma pausa. — As cláusulas no acordo de divórcio são justas. Vou pegar só o que me pertence.

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