Como se dissesse: não vai se explicar?
Marisa Arantes congelou no lugar. A mão do homem ao lado continuava segurando a dela.
O ar do corredor quase sumiu. Bruno Castro sentiu dificuldade para respirar e recuou para dentro da sala sem demonstrar reação.
O olhar de Gabriel Arantes vagou pelos dois. Após um tempo, ele riu: — Que coincidência, Sr. Valli.
Lorenzo Valli não olhou para ele. Apenas encarou Marisa Arantes com um meio sorriso, mas a voz estava tão fria que quase formava gelo.
— Venha cá.
As palavras foram espremidas pela garganta.
Gabriel Arantes soltou a mão. Quando Marisa Arantes pensou em suspirar, no segundo seguinte o coração voltou à boca.
Gabriel Arantes caminhou calmamente até Lorenzo Valli, com o tom relaxado: — Como tem passado, Sr. Valli?
Lorenzo Valli finalmente desviou o olhar de Marisa Arantes para o homem à sua frente, que tinha a mesma altura que ele.
Ele o reconheceu.
Gabriel Arantes, do Grupo Zenith.
O novo rico que surgiu de repente no mercado internacional há três anos, com um passado misterioso e métodos severos.
Lorenzo Valli o tinha visto no Fórum de Negócios da Ásia-Pacífico. Naquela época, ele também estava calmo daquele jeito e, ao passarem um pelo outro, disse do nada: — Até a próxima.
Na época ele era apenas diretor regional do Grupo Zenith. Não esperava que em apenas três anos ele saltaria para presidente do Grupo Zenith.
Pelo visto, os métodos e a astúcia dessa pessoa não deviam ser subestimados.
Ele não esperava que esse homem estaria de mãos dadas com a sua esposa, parado à sua frente.
— Sr. Arantes? — Lorenzo Valli enfiou as mãos nos bolsos e seu olhar para ele não era amigável. — Não é muito apropriado você levar a minha esposa, certo?
O que ele queria fazer?
Gabriel Arantes olhou para trás e sorriu para a mulher: — A minha ligação com a Marisa não é tão simples quanto você imagina.
Provocação.
Era uma provocação descarada da parte dele.
Lorenzo Valli quase não conseguiu manter o sorriso. A raiva tomou conta dele instantaneamente, tanto que ele distorceu o olhar que Marisa Arantes tinha agora para outro significado.
— Marisa? — Lorenzo Valli colocou a mão no ombro de Gabriel Arantes com força. A frieza nos olhos quase o perfurava. — Nós já vamos, fique à vontade, Sr. Arantes.
Dito isso, ele agarrou o braço de Marisa Arantes sem dar espaço para objeções.
Ela tentou se soltar, e a voz do homem reprimindo a raiva soou em seu ouvido: — Não olhe para trás.
Quando os dois desapareceram no fim do corredor, o sorriso de Gabriel Arantes sumiu. Girando o anel no dedo indicador sem querer, ele murmurou: — Lorenzo Valli, como tem passado.

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