Coisas dele?
Pegar só o que lhe pertence?
Lorenzo Valli achou engraçado, repuxando o canto da boca. — Você separa tudo com tanta facilidade assim? Marisa, para você, esses três anos não passaram de uma troca desde o início até o fim?
— O que mais seria?
Ela respondeu rápido, como se já tivesse visto a essência: — Você só se casou comigo para conseguir as ações do seu avô, não é? Nenhum de nós dois é melhor que o outro nesse jogo.
O ar parou no instante.
Um segundo.
Dois segundos.
Três segundos.
Lorenzo Valli riu de repente e recolheu a mão parada no ar.
— Bem dito.
Essa frase destruiu toda a calma que ele tentava manter.
Ele deu um passo à frente, e sua sombra cobriu Marisa Arantes.
A suavidade no rosto sumiu por completo, como se nunca tivesse existido. — Não vou assinar. Você sabe por que eu me casei no início.
Lorenzo Valli a olhou, retomando a atitude superior de antes. — Você nunca teve o poder de decidir o início nem o fim de tudo que temos entre nós.
Viu, esse era o verdadeiro Lorenzo Valli.
A gentileza era apenas um disfarce. Quando os interesses estavam em jogo, ele se tornava um homem implacável nos negócios quando seus interesses estavam em jogo.
Marisa Arantes o encarou em silêncio por um longo tempo.
— Lorenzo Valli, você acha que eu só posso depender de você?
Ele não disse nada, mas o olhar já tinha dado a resposta.
Ela riu da arrogância dele e bufou friamente: — Espero que continue tão confiante.
Sem dizer mais nada, ela pegou a chave e andou até o carro, com uma calma assustadora.
Parece que foi no dia 2 de fevereiro do ano passado que Marisa Arantes foi ao templo pedir para ele.
Naquela época, a tempestade fechou a montanha. Ela ligou e pediu que a buscasse. Ao dirigir até a entrada na base da montanha, Marisa Arantes estava encolhida embaixo de um cogumelo falso. Quando ela o viu, sorriu como se tivesse causado problemas e disse que tinha dado trabalho para ele.
Tirando o amuleto de proteção do bolso, ela mostrou com orgulho, dizendo que foi feito à mão pelo Mestre Kelton. Tinha mais de vinte pessoas no grupo, mas só ela havia sido sorteada.
A luz interna estava acesa. Ela estava toda encharcada, o cabelo colado na testa, péssima como um gato de rua, mas aqueles olhos brilhavam.
Ele não dirigia com frequência. Quase sempre estava com Bruno Castro em compromissos, e trocava de carro direto, então nunca reparava se tinha algo a mais ou a menos no carro.
Ele também não sabia quando ela tinha pendurado o amuleto de proteção. Podia ter sido naquela noite, ou em algum outro dia.
O vermelho brilhava nas pontas dos dedos. Ele só reagiu quando sentiu a queimação. Esticou a mão e apagou o cigarro no cinzeiro.
Um tempo depois, ele pegou o celular e fez uma ligação.
— Investigue o Gabriel Arantes.
O estômago doeu de novo. Lorenzo Valli abaixou a cabeça no volante e apertou a barriga com a mão.
Ele percebeu que algumas coisas começavam a sair de seu controle.

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