Lorenzo deu um tapa forte na cabeça dele e indicou o quarto da frente com o olhar.
Diego entendeu o recado na hora. Foi na ponta dos pés, todo sorrateiro, até a outra porta e colou o ouvido nela.
Vendo o Dr. Arthur entrar para a ronda, Marisa sorriu e o cumprimentou.
O Dr. Arthur colocou o que trazia nas mãos em cima da mesinha: — A Mestra Helena estava preocupada com você. Ela acordou cedo pra fazer sopa de melão de inverno e pediu pra eu trazer.
— Ajuda bastante a reduzir o inchaço. Você devia experimentar.
Marisa ficou um pouco sem graça: — Eu dei muito trabalho pra Mestra Helena, e pro senhor também, de vir trazer.
— Não foi nada de mais. — respondeu o Dr. Arthur.
Ele fez os exames de rotina e, vendo que não havia sangue no dreno e que o quadro estava estável, ficou tranquilo.
Explicou a situação em voz baixa para Marisa enquanto anotava no prontuário.
— A sua recuperação está indo bem. O ferimento no pulmão já fechou praticamente por inteiro, e a quantidade de dreno continua diminuindo. Vamos manter a observação por mais dois dias, depois tiramos o tubo.
Em seguida, checou o soro e arrumou a altura do frasco.
Marisa confirmou com a cabeça: — Obrigada, Dr. Arthur.
O Dr. Arthur deu um sorriso: — A Srta. Arantes não precisa agradecer.
Ele tirou um balão do bolso e entregou a Marisa.
— Como o vazamento de ar está estabilizado, você já pode começar a treinar a expansão pulmonar soprando bexigas.
Marisa pegou o balão rosa que ele estendeu.
O Dr. Arthur aconselhou: — No começo, dê sopros curtos e devagar. Três ou cinco vezes por dia já basta. Só não se esqueça de não prender a respiração.
— Você pode fazer algumas séries a mais durante o dia.
Ela confirmou com a cabeça. Pôs o balão na boca, deu um sopro leve e o soltou.
— Assim?
O Dr. Arthur achou graça ao vê-la inflar as bochechas e ergueu o polegar para ela.
— Exatamente. A Srta. Arantes pega as coisas rápido.
Ele falava com ela com toda ternura, como se estivesse elogiando uma menina pequena e querida.
Ele olhou as horas. Já passava das oito.
Deixou o prontuário de lado e abriu o pote térmico.
— A minha mãe disse que era pra tomar essa sopa quente.

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