Lorenzo virou a cabeça e olhou para o quarto da frente, relembrando o que Diego dissera na noite anterior.
Aquela mesma sensação de fraqueza tomou conta dele outra vez.
Com a expressão pesada, deitou-se de novo: — Vai fechar a porta. Não deixe a Marisa saber que estou aqui.
Bruno olhou para o corredor, depois para Lorenzo, confuso.
Mas obedeceu e fechou a porta.
Será que o patrão está fazendo charme pra não ver a esposa?
Mas, com ele entrando e saindo toda hora e o Sr. Diego no quarto ao lado, seria difícil não perceberem.
Ao ver que a porta estava totalmente fechada, sem nenhuma fresta, Lorenzo virou para o lado com a cara amarrada e fechou os olhos.
— Aliás, o médico disse que o senhor não pode comer ainda, mas pode beber água morna.
Nenhuma resposta do outro lado.
— A água está na mesinha de cabeceira.
Continuou em silêncio.
Ele tentou a sorte: — Eu vou sair. Qualquer coisa o senhor me chama.
Vendo que o homem na cama continuava mudo, Bruno entendeu que o chefe estava de mau humor e saiu de fininho.
Ao sair, deu de cara com Diego, que vinha em sua direção.
Diego já havia trocado de roupa. Ele ergueu o queixo em direção à porta.
— Já acordou, mas não quer falar com ninguém. — explicou Bruno.
Diego suspirou e acenou com a mão para ele.
— Espera.
Ele se lembrou de algo e avisou: — Não deixe a família Valente saber disso, principalmente a Débora.
Não quero que essa mulher falsa apareça e estrague tudo nesse momento tão importante.
Bruno desviou o olhar, logo entendeu o recado e assentiu.
— Então o senhor fica aqui, Sr. Diego. Eu preciso dar um pulo na empresa.
— Vai lá.
Quando Diego entrou, Lorenzo estava deitado de costas para ele.
— Eita, deixa eu ver quem é que tá aqui sem dar um pio?
Tinha a mesma cara de soco de sempre.

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