Ele enfiou a taça na mão de Lorenzo: — Como dizem por aí: quem trata mal a mulher que ama, depois vai se humilhar para reconquistá-la.
— Então, vamos brindar à nossa árdua missão de reconquistar a sua esposa.
Diego encostou o copo no dele e virou de uma vez.
Ele virou a cabeça; o amigo ainda estava na mesma posição de antes.
Ele o encarou, desconfiado: — Lorenzo, você não tá querendo fugir da bebida, né?
Chegou um pouco mais perto: — Você não chorou de medo do que eu acabei de falar, chorou?
— Lorenzo? Lorenzo?
Lorenzo mantinha os olhos fechados, mordendo o lábio inferior com força. A respiração dele pesou, e o suor frio escorria na sua testa.
— Você chorou mesmo?
Diego puxou a mão dele, só para perceber que seu rosto estava estranho. As bochechas avermelhadas, mas os lábios pálidos.
Ele lutava para conter alguma coisa.
— Meu estômago... tá doendo muito.
— O quê?
A voz saiu muito baixa, e Diego, um pouco bêbado, demorou a entender.
— Meu estômago!
Lorenzo praticamente gritou. Diego tomou um susto e a cabeça, que antes pesava de álcool, ficou lúcida na hora.
— Seu estômago. O seu estômago.
De repente, ele se lembrou de que o amigo tinha problemas de estômago.
Olhou para o copo caído no chão. Com certeza tinha sido aquela dose de antes.
Ele se levantou rápido e vestiu o paletó.
— Lorenzo, vem. Vou te levar pro hospital.
Ele o puxou para cima. Lorenzo deu uma cambaleada, talvez pela dor de estômago ou pelo álcool batendo.
Diego o apoiou no ombro e começou a ligar para alguém enquanto abria a porta.
— Traz o carro, vamos pro hospital.
O tranco o deixou incomodado, e Lorenzo o empurrou. Com uma mão ele apertou o botão do elevador e com a outra segurou a barriga.
— Pare na porta lateral.

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