Lorenzo olhou para ele, com o olhar ilegível.
Diego explicou: — Se a Débora soubesse que a Marisa é importante pra você, acha que ela teria encostado um dedo nela? Se você não a tivesse ignorado e conversado sobre tudo, acha que estaria nessa situação hoje?
— Então o maior problema é você. Todas as suas atitudes só serviram pra dizer que ela e o pai não significavam nada pra você.
Diego olhou para ele: — Por que você pôde viajar pra longe pra ficar com a Débora, mas não podia ficar com ela? Se as duas perderam familiares próximos, por que tratar uma de um jeito e a outra de outro?
Lorenzo mexeu a boca para falar algo, mas no fim não disse nada.
— No fundo, você acha que ela vai entender todas as suas decisões, aceitar tudo de boa, e que se você der um jeito de agradá-la depois, fica tudo certo.
— E sabe por quê?
Diego cutucou o peito dele de leve com o dedo, sendo direto.
— Porque você não tem medo de perdê-la. Porque acha que você é quem recebe amor na relação e que, não importa o que aconteça, ela não vai te deixar.
— Só que, Lorenzo. — O rosto sempre zombeteiro de Diego mostrava uma seriedade inédita. — Era o pai dela. A única família que ela tinha no mundo. A pessoa mais importante pra ela.
— Como você quer que ela perdoe as coisas que você fez?
— O que separa vocês dois não é uma simples briga. É uma vida.
— É a vida do pai que a criou com tanto esforço!
O que os separava não era uma briga, e sim uma vida!
Era a vida do único parente que ela tinha, a pessoa mais importante pra ela no mundo todo.
Aquelas palavras cortaram o coração de Lorenzo profundamente, deixando ele sem fôlego de dor.
Seu couro cabeludo formigou, a ponta dos dedos tremeu de leve e, na sua mente, uma corda se esticou até quase arrebentar.
Uma emoção que não conseguia descrever surgiu no peito, a ponto de sufocá-lo.

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