Em um canto, o homem franzia a testa, recostado no sofá sem qualquer expressão, quase se fundindo com a escuridão.
Vendo que o amigo continuava sentado em silêncio, Diego suspirou, esticando a mão para pausar a música.
— Cara, por que você sempre fica com essa cara de morte quando a gente sai?
O sofá ao lado de Lorenzo afundou.
Diego virou um copo de bebida e levantou os dedos na frente do rosto dele.
— Oitava vez.
A expressão dele era de um cansaço anestesiado. — Cara, faz quinze dias que o mês começou, e você já me chamou pra sair oito vezes.
Lorenzo olhou para aqueles dedos erguidos, desviando o olhar com indiferença.
Diego se inclinou e passou o braço pelos ombros dele.
— Eu sei que você tá sofrendo por amor, e também sei que precisa de companhia.
— Mas... não dá pra você me chamar pra sair e não dar um pio toda vez.
Do momento em que se encontravam até a hora de irem embora de carro, não havia a menor interação.
Ele não respondia às perguntas nem bebia quando lhe ofereciam.
Ele parecia uma pessoa sem nenhuma reação, fechado para todo mundo.
Ele sempre sentia como se estivesse levando o amigo pra fazer um teste de paciência.
Ele apontou para o próprio peito com uma expressão de dor: — Eu sou um ser vivo, preciso de algum tipo de retorno.
— Sua mulher te deixou, não venha descarregar sua mágoa em mim me ignorando todo o tempo.
Diego segurou o rosto de Lorenzo, encarando-o. — Se tem algum problema, pergunta. Se tá confuso, eu te ajudo a resolver. Mas a gente pode, por favor, não ficar sem se falar?
Ele trincou os dentes: — Quando você age desse jeito, deixa todo mundo achando que eu sou um bobo.
Lorenzo soltou um suspiro pesado, afastou as mãos dele, pegou a bebida na mesa e virou de uma vez.
O copo bateu na mesa com um barulho seco.

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