Júlia Montenegro ficou paralisada, a mão na bochecha vermelha, os olhos arregalados em pura incredulidade. Ninguém nunca havia ousado encostar um dedo nela.
— Você... você me bateu! — ela gaguejou, a voz subindo uma oitava.
Clara a encarou, os olhos frios como o ártico. A mulher que suportava tudo em silêncio havia morrido no momento em que seu irmão quase morreu.
— Você queria uma reação, Júlia? Aí está. — a voz de Clara era baixa, mas cada palavra era como um caco de vidro.
— Você me acusa de "dar em cima de outros homens"? De trair o seu primo? — um sorriso amargo e perigoso tocou os lábios de Clara.
Ela se inclinou para a frente, a voz carregada de um desprezo gelado. — E se for verdade? E se eu estiver colocando um belo par de chifres na cabeça do seu primo? E daí?
A declaração foi tão chocante, tão audaciosa, que até Pedro a olhou com surpresa.
— Talvez seja apenas a minha forma de retribuir o favor. De devolver a ele um pouco de tudo que ele me deu nos últimos seis anos.
— O quê?!

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