Os dias se transformaram em uma semana. Thiago não acordou.
O neurologista chamou Clara para sua sala. As palavras dele foram clínicas, precisas e brutais.
— As tomografias não mostram melhora, Clara. A atividade no córtex cerebral é mínima.
— O que isso significa? — ela perguntou, embora já soubesse a resposta.
— Significa que, neurologicamente, ele está em um estado vegetativo persistente.
A esperança que ela secretamente nutria foi extinta.
— Há mais uma coisa. — disse o médico, hesitante. — As fraturas no crânio dele... não são consistentes com uma briga de prisão comum.
— O padrão das lesões, a força aplicada... foi deliberado. Quem quer que tenha feito isso, não queria apenas machucá-lo. Queria matá-lo.
A confirmação gelou o sangue de Clara.
Com a nova realidade, vieram os problemas práticos. Os custos da UTI, dos cuidados de longo prazo, da reabilitação que talvez nunca acontecesse... a conta do hospital já era astronômica.
Ela não podia mais depender da caridade de Arthur ou da benevolência da Família Montenegro. Ela precisava de seus próprios recursos. Precisava de sua liberdade.

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