A ligação veio às duas da manhã, um toque estridente que rasgou o silêncio do apartamento. Era do hospital. Mas não era um chamado para uma cirurgia.
— Dra. Mendes? — a voz do outro lado era de um médico do pronto-socorro, hesitante e grave. — É sobre seu irmão, Thiago Mendes. Ele deu entrada.
O coração de Clara parou. — O que aconteceu?
— Ele foi transferido do centro de detenção. Traumatismo craniano grave. Hemorragia intracraniana massiva. Ele está sendo levado para a cirurgia de emergência agora.
O telefone escorregou de sua mão, caindo no chão com um baque surdo.
Não. Não, não, não.
A viagem para o hospital foi um borrão de luzes vermelhas e o som de seu próprio sangue pulsando nos ouvidos. Ela correu pelos corredores, o mesmo lugar onde ela salvava vidas, agora o lugar onde a vida de seu irmão estava por um fio.
A luz da sala de cirurgia estava acesa. Vermelha. Perigo.
Ela esperou por horas, que pareceram séculos, em um limbo de pânico e orações silenciosas.
Quando o cirurgião finalmente saiu, seu rosto estava sombrio. — A cirurgia estancou o sangramento, mas o dano é extenso. As próximas vinte e quatro horas são críticas.
Ela sentiu o chão ceder. Alguém a amparou. Mas ela não sentiu nada. Apenas um frio avassalador.
Isabela. Foi ela. A ameaça na prisão. O "chefe".
Uma fúria, pura e primitiva, nasceu das cinzas de sua dor. Ela se endireitou, o corpo tremendo, e começou a andar. Seus passos não tinham hesitação. Tinham um destino.
Ela sabia onde Isabela estaria. No mesmo hospital, em um quarto de luxo, recuperando-se de seus ferimentos "terríveis".
Ela abriu a porta do quarto de Isabela com um estrondo.

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