Naquela noite, a escuridão do quarto do hospital era quase total, quebrada apenas pela luz fraca do monitor cardíaco no canto.
A porta se abriu silenciosamente, revelando a silhueta alta de Arthur contra a luz do corredor. Clara, que fingia dormir, sentiu seu corpo enrijecer.
Ele entrou e fechou a porta, mergulhando o quarto de volta na penumbra. Ele ficou parado por um longo momento, apenas observando-a.
— Por que você não me contou? — sua voz era um sussurro baixo, quase uma acusação.
Clara permaneceu em silêncio, a respiração presa na garganta.
— Três dias. — ele continuou, aproximando-se da cama. — Você ficou aqui por três dias, ferida, e eu não sabia de nada. Por quê?
— Você estava ocupado. — ela respondeu finalmente, a voz abafada pelo travesseiro.
— Ocupado demais para saber que minha esposa sofreu um atentado no meu hospital?
A palavra "esposa" soou estranha, quase estrangeira, na boca dele.

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