Arthur só soube que Clara estava hospitalizada três dias depois do ataque.
Ele chegou em casa tarde da noite e a encontrou vazia. Foi a Sra. Fátima quem, com o rosto cheio de uma desaprovação silenciosa, finalmente lhe contou, depois de ser pressionada.
— A Dra. Mendes está no hospital desde sexta-feira, senhor. Um homem a atacou no consultório. Jogou spray de pimenta em seus olhos.
Arthur sentiu um gelo estranho se formar em seu estômago. Três dias. Ela estava ferida há três dias, e ele não fazia ideia.
— Por que ninguém me avisou?
— Ela pediu para não o incomodarmos. — respondeu a governanta, a acusação implícita em sua voz.
A polícia ligou para Clara mais tarde naquele dia. O homem que a atacou havia sido encontrado. Mas a notícia não trouxe justiça.
— Ele tem um longo histórico de doença mental, Dra. Mendes. Esquizofrenia paranoide. Ele não se lembra do incidente.
— Não podemos processá-lo criminalmente. O máximo que podemos fazer é conseguir uma ordem de restrição e uma compensação financeira.
Outro beco sem saída. Outra injustiça que ficaria impune.
Mas, desta vez, as coisas foram diferentes.

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