No dia seguinte, a Sra. Fátima abordou Clara enquanto ela se preparava para sair. A governanta parecia desconfortável, segurando um pequeno e elegante envelope preto.
— Senhora... o Sr. Montenegro pediu para lhe entregar isto.
Dentro do envelope, não havia um bilhete. Havia apenas um cartão.
Um American Express Centurion de metal preto, sem limite de gastos, com o nome "Clara Mendes" gravado a laser.
Era a maneira dele de pedir desculpas. Com dinheiro.
Clara olhou para o cartão. Ele representava uma vida de luxo que ela um dia, ingenuamente, pensou que poderia ser a sua.
Ela devolveu o cartão e o envelope para a Sra. Fátima.
— Por favor, devolva ao seu patrão. — ela disse, a voz suave, mas firme. — Diga a ele que eu agradeço, mas não preciso.
A Sra. Fátima a olhou, confusa. — Mas senhora, ele disse...
— Ele é ele. Eu sou eu. — disse Clara, simplesmente.
A declaração era sobre muito mais do que dinheiro. Era sobre independência.
No fim de semana, ela foi ao seu encontro com Pedro para a exposição de arte médica.
Depois, ele insistiu em levá-la para jantar. Quando a conta chegou, Clara pegou sua carteira.

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