Quando Arthur chegou ao Terraço Itália, o restaurante estava quase vazio.
O salão privado que a família Mendes havia reservado era uma cena de desolação. Pratos caros, mal tocados, esfriavam sobre a mesa.
No meio de tudo, Geraldo e Lúcia Mendes, os rostos sombrios, e Thiago, que o encarava com um ódio que Arthur nunca tinha visto antes.
Clara estava sentada em um canto, em silêncio, olhando para a vista da cidade.
— Peço desculpas pelo atraso. — disse Arthur. — Houve uma emergência médica que não pude ignorar.
— Emergência médica? — Thiago riu, um som amargo. — É assim que você chama sua amante agora?
— Thiago! — Lúcia o repreendeu, assustada.
Arthur ignorou a provocação. Ele se aproximou de Thiago, tirando uma pequena caixa de veludo do bolso.
— Eu sei que um presente não compensa, mas eu gostaria que aceitasse. Feliz aniversário.
Era um relógio Rolex, um gesto de poder que ele usava para resolver a maioria dos problemas.
Thiago nem olhou para a caixa. Ele se levantou, encarando Arthur.
— Eu não quero seu dinheiro sujo. — ele disse, com desprezo. — Fique longe da minha irmã.
Arthur, não acostumado a ser desafiado, sentiu a raiva crescer. Mas, por alguma razão, ele se conteve.
Ele se virou para Clara. — Vamos para casa.
— Ela não vai a lugar nenhum com você. — disse Thiago.

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