A rejeição pairou entre eles no hall de entrada escuro. A menção da "regra" dele, a regra que ele criou para garantir que ela nunca carregasse um herdeiro seu, foi como jogar água fria em seu desejo confuso. A frustração transformou seu rosto em uma máscara de desprezo.
—Ótimo. — ele disse, a voz cortante. — Continue se escondendo atrás de suas desculpas.
Ele se afastou dela, pegou as chaves do carro e saiu, batendo a porta com força.
O alívio de Clara foi imediato, mas de curta duração. A batalha nunca acabava, apenas mudava de cenário.
Nos dias seguintes, o hospital se tornou um novo tipo de inferno. A história do "envenenamento" de Enzo e do tapa de Arthur se espalhou como fogo. Mas a narrativa havia sido torcida. A nova fofoca, sussurrada nos corredores e nas salas de descanso, era que a Dra. Mendes, desesperada para manter seu casamento rico, estava sendo abusiva. E que, para se consolar, ela estava tendo um caso. Que ela era uma mulher instável, talvez até sustentada por outro homem. O nome de Pedro Rocha era mencionado em voz baixa.
Isabela havia lançado sua nova arma: a destruição da reputação profissional e pessoal de Clara.
Na tarde de sexta-feira, Clara estava em seu pequeno escritório, tentando se concentrar em um prontuário, quando houve uma batida na porta.
—Pode entrar. — ela disse, sem levantar os olhos.
A porta se abriu. Um homem que ela nunca tinha visto antes entrou. Ele era magro, com olhos nervosos e usava um boné de beisebol puído.

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