A fúria de Arthur não se aplacou. Era um incêndio fora de controle. Ele a arrastou para fora da sala de trauma, pelo corredor, indiferente aos olhares chocados da equipe do hospital. Ele a puxou em direção ao quarto privado para onde Enzo seria levado assim que fosse estabilizado.
—Você vai pedir perdão. — ele disse, a voz um rosnado baixo.
Ele a empurrou para dentro do quarto vazio e a forçou a ficar de frente para a cama ainda intocada.
—De joelhos.
A ordem era tão humilhante, tão medieval, que Clara o encarou, incrédula.
—O quê?
—EU DISSE, DE JOELHOS! — ele gritou, empurrando seus ombros para baixo com uma força que a fez cair. Seus joelhos bateram com força no chão de linóleo frio.
—Você vai ficar aqui. E quando Enzo chegar, você vai olhar nos olhos dele e vai implorar pelo perdão dele. Você vai admitir o que fez.
—Eu não fiz nada! — ela gritou de volta, as lágrimas de raiva e humilhação escorrendo por seu rosto. — Eu não vou admitir uma mentira!
—Então você vai ficar aí até apodrecer.
Ele se sentou em uma poltrona no canto do quarto, o celular na mão, tratando-a como um objeto desprezível, uma mancha no chão.
E assim ela ficou. Ajoelhada no chão frio do hospital, o rosto latejando, os joelhos começando a doer, a dignidade em frangalhos. Uma hora se passou. Depois outra. As enfermeiras entravam e saíam, preparando o quarto, evitando olhar para ela, mas seus rostos eram uma mistura de pena e desprezo.

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