O código azul soou pelo sistema de alto-falantes do hospital, uma sirene que sempre fazia o coração de Clara gelar. "Emergência pediátrica, sala de trauma três."
Ela estava no pronto-socorro e, por instinto, correu na direção do caos. Quando chegou, a cena a fez parar.
Enzo estava na maca, o pequeno corpo coberto de urticárias vermelhas e inchadas. Seus lábios estavam azulados, e ele lutava para respirar, o peito subindo e descendo com um esforço terrível. Anafilaxia. Choque anafilático grave.
Isabela estava ao lado dele, histerica, as lágrimas escorrendo por seu rosto em uma performance digna de um Oscar.
—Foi o bolo! Ele comeu o bolo de chocolate! Alguém me ajude! Meu filho está morrendo!
Clara sentiu o chão desaparecer sob seus pés. O bolo. O bolo que ela havia mandado entregar.
Antes que pudesse processar, uma tempestade entrou na sala de trauma. Arthur Montenegro. Seu rosto era uma máscara de fúria e pânico. Ele viu o filho na maca, depois viu Isabela chorando, e então seus olhos encontraram os de Clara, parada na porta.
Na mente dele, as peças se encaixaram da forma mais simples e cruel possível. Clara. O bolo. A vingança.
Ele marchou até ela, ignorando os médicos e enfermeiros que tentavam salvar a vida de Enzo. Ele não disse uma palavra. A fúria em seus olhos era mais eloquente do que qualquer grito.
Ele parou na frente dela. E pela primeira vez em seus seis anos de casamento, ele ergueu a mão contra ela.

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