Os sussurros se transformaram em acusações. "Ladra." "Que vergonha." "Uma médica fazendo isso...". As palavras a atingiam como pedras. Ela estava sendo julgada e condenada em praça pública.
Seu olhar encontrou o de Arthur. Ele a encarava com uma decepção fria, como se ela fosse uma estranha que havia acabado de cometer um crime hediondo. Ele acreditou. Sem hesitar, ele acreditou.
Algo dentro de Clara, algo que ela nem sabia que ainda estava vivo, finalmente se partiu e morreu.
Uma calma sobrenatural a invadiu. O barulho ao redor desapareceu. Sua mente ficou clara e afiada como um bisturi.
Ela deu um passo à frente.
E com um movimento rápido e preciso, ela deu um tapa no rosto de Isabela.
PLAFT!
O som estalado ecoou pelo saguão, silenciando a multidão instantaneamente.
Isabela a encarou, a mão na bochecha vermelha, os olhos arregalados de choque.
—Vamos usar a lógica, Dra. Ferraz. — a voz de Clara era baixa, mas cortava o ar. — Você alega que eu roubei sua pulseira no banheiro. Mas todos aqui, incluindo o Sr. Montenegro, viram essa pulseira em seu pulso até o momento em que saímos do salão.
Ela deu outro passo, os olhos fixos nos de Isabela.
—Então, por favor, explique para todos nós. Como eu poderia roubar algo que nunca saiu do seu corpo? Você a tirou e me deu para guardar? Ou talvez ela magicamente se teletransportou do seu pulso para a minha bolsa?
O rosto de Isabela empalideceu. A lógica do contra-ataque a pegou desprevenida. Ela começou a gaguejar.

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