Arthur Montenegro permaneceu em coma por uma semana. Nina ficou ao seu lado.
Não era por amor. Era por dever. O dever de uma médica para com seu paciente. O dever de uma alma para com a alma que se sacrificou por ela.
Ela lia para ele. Relatórios médicos, artigos de jornais. A voz dela era o único som no quarto silencioso da UTI.
Ela o observava dormir, o rosto antes tão arrogante agora pacífico e vulnerável. O homem que a atormentou por seis anos. E o homem que dirigiu seu carro na frente de um caminhão por ela.
Quem era ele, de verdade?
O ódio havia se esvaído, substituído por uma complexa mistura de gratidão, pena e um vazio profundo. O que restava entre eles?
Dona Helena e Guilherme cuidaram de tudo. Os advogados. A imprensa. Os negócios. Eles a protegeram, permitindo que ela se concentrasse em sua própria cura e na de seu irmão.
No oitavo dia, ele acordou.
Ela estava sentada ao lado da cama dele, lendo. Ele abriu os olhos. E a primeira coisa que viu foi ela.
— Clara... — ele sussurrou, a voz rouca pelo desuso.
Ele a olhava, não com a confusão de um homem que havia perdido a memória, mas com uma clareza e um amor que a chocaram.

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