Júlia Montenegro estava sentada no escritório de Dona Helena, o rosto manchado de lágrimas. O acidente, a visão de Arthur sendo retirado dos destroços, a haviam quebrado.
— Vovó, eu fui uma tola. — ela soluçou. — Eu acreditei nela. Acreditei em tudo.
Dona Helena a observava, os olhos frios e impassíveis.
— A tolice não é um crime, Júlia. Mas a cumplicidade é.
— Eu sei. — Júlia chorou. — É por isso que estou aqui.
Ela tirou o celular de sua bolsa.
— Eu... eu ouvi a Isabela ameaçando o Enzo. No dia anterior à festa. Ela estava o machucando, vovó. E eu... eu gravei.
Ela apertou o play.
A voz de Isabela, baixa e venenosa, encheu a sala silenciosa, ameaçando uma criança, chantageando-a para o silêncio. A prova de abuso infantil era inegável.
— Eu estava com medo. — admitiu Júlia. — Mas depois de hoje... eu não posso mais ficar calada. Ela é um monstro. E eu ajudei a criar esse monstro.

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