Clara encontrou um refúgio inesperado em suas visitas à Sra. Queiroz. A companhia da mulher de olhos gentis, presa em um passado doloroso, era estranhamente reconfortante.
Naquela tarde, enquanto estavam sentadas no jardim do hospital, Guilherme se juntou a elas.
— Ela gosta muito de você. — ele disse, observando a mãe, que cochilava serenamente na cadeira de rodas.
— Eu também gosto dela. — respondeu Clara.
O silêncio entre eles era confortável. — Minha irmã mais nova, Nina, faleceu há dois anos. — Guilherme disse de repente, a voz baixa. — Ela nasceu com uma condição cardíaca rara.
— Minha mãe nunca se recuperou. A mente dela... fraturou. Às vezes, ela acorda e pensa que Nina ainda é uma criança. Outras vezes, como hoje, ela a procura em todos os lugares.
— Ela era muito parecida com você. — ele disse, olhando para Clara. — A mesma calma nos olhos.
A história tocou Clara profundamente, uma tristeza por uma vida que ela nunca conheceu.
Na semana seguinte, Guilherme insistiu que Clara levasse sua mãe para um passeio no shopping. — Ela adorava fazer compras. Talvez ajude a animá-la.

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