Clara estava voltando para o condomínio, a conversa com Guilherme Queiroz ecoando em sua mente, quando viu o carro de Arthur parado em frente ao prédio.
Ele não estava sozinho. Isabela Ferraz e o pequeno Enzo estavam na calçada, despedindo-se dele. A cena parecia um retrato de família suburbana.
Isabela viu Clara se aproximando e um sorriso malicioso iluminou seu rosto. Ela se inclinou e deu um beijo demorado no rosto de Arthur, um gesto claramente para o benefício de Clara.
— Obrigada por nos trazer em casa, querido. — disse Isabela, a voz alta o suficiente para que Clara ouvisse. — Enzo sentiu tanto a sua falta hoje.
Clara passou por eles, a cabeça erguida, pretendendo ignorá-los completamente.
— Oh, Clara! — Isabela a chamou, com falsa doçura. — Que bom que chegou. O Arthur já estava de saída.
Clara parou e se virou. Ela não olhou para Isabela. Olhou diretamente para Arthur, o homem que a deixava esperando em casa enquanto brincava de família feliz com outra.
Um cansaço, profundo e cortante, deu lugar a uma fúria fria.
— Sabe, Arthur, — ela disse, a voz surpreendentemente calma. — a Isabela tem razão. Você não deveria mais se dividir assim.
Arthur a encarou, confuso com o rumo da conversa.
— Não é justo com ela. E certamente não é justo com o Enzo. Uma criança precisa de um lar estável, não de um pai de meio período.
Ela deu um passo à frente, o olhar fixo no dele. — Tenha coragem. Assuma suas responsabilidades.
— Case-se com ela. Dê a ela seu nome. Dê ao seu filho o lar que ele merece. Pare de se esconder atrás de um casamento de fachada e de ser um covarde.

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