LIZZY...
O olhar inocente e as mãozinhas macias me surpreendem com um aperto firme. O senhor Collins observa tudo, parado bem à minha frente.
Não é só a menina que me surpreende... é também o fato de o próprio senhor Collins estar como acompanhante.
— O seu papai é apenas... ele é o meu chefe, só isso!
A garotinha me encara, visivelmente decepcionada. Ela realmente acredita que o pai encontrou uma namorada.
— Você não é a nova namorada? Ah, que pena… você é muito linda. A Susan é minha mãe, como já falei, mas ela é insuportável e ainda faz o meu papai sofrer. Eu quero ela longe dele. Não posso deixar ninguém fazer ele sofrer! — diz a pequena, com os olhinhos cheios de lágrimas.
Levanto o rosto, e meus olhos se encontram com os do senhor Collins. Ele fixa o olhar na menina, mas não expressa nenhuma emoção.
— Tenho certeza de que logo ele vai encontrar alguém. Ele é um homem incrível: educado, inteligente e muito simpático!
Ela me olha desconfiada e rebate, sem pensar duas vezes:
— Simpático? Simpático é quando a pessoa é feia e você não tem coragem de dizer! Pai, ela te acha feio.
Sinto meu rosto queimar. Minhas bochechas coram sob o olhar atento do senhor Collins. Ele tenta decifrar meus pensamentos e sorri, caminhando em minha direção.
Meu estômago se revira como se estivesse em uma montanha-russa. Meu coração já não b**e normalmente há muito tempo.
— Então eu sou feio? Isso explica sua preferência pelo Mark. Você acha ele bonito e eu não?
— Não é isso! O senhor é lindo… muito perfeito… AFF! Perfeito até demais.
As palavras escapam antes que eu consiga contê-las. Levo a mão à boca, me repreendendo por ser tão linguaruda.
— Legal! Alguém está apaixonada e só percebeu com a minha ajuda! Papai, temos uma pretendente — diz a menina, descendo da cama e segurando a mão do pai.
Com um sorriso travesso, ela comemora como se tivesse ganho uma batalha.
Ele não diz nada, apenas percorre cada canto do meu corpo com aquele olhar escuro e intenso. Um arrepio me atravessa, e uma umidade estranha surge entre minhas pernas.
"É isso mesmo, Lizzy? Está excitada só porque ele está te olhando?" Minha mente se embaralha com perguntas sem respostas, e sinto que tudo vai se complicar ainda mais.
— Não seja inconveniente, Yasmin. A senhorita Lizzy é minha funcionária e se machucou no trabalho. Estou apenas cumprindo minha obrigação e zelando pelo bem-estar dos meus colaboradores!
— Pessoalmente? Ah, conta outra, papai! O senhor tem mil funcionários e poderia contratar uma equipe médica para cuidar dela. Nunca foi tão atencioso assim com ninguém. E convenhamos: ela é uma mulher linda, com uma beleza ímpar.
A menina fala como um adulto. Pelo menos o tamanho da sua língua é proporcional a de um adulto. Ainda tentando entender a conversa surreal que os dois estão tendo, sou surpreendida por uma vontade urgente de ir ao banheiro.
Saio da cama com cuidado. O senhor Collins para de falar e me observa com os braços cruzados. Seu olhar me acompanha até a porta. É difícil fazer tudo com a mão esquerda, mas consigo me virar.
Termino e quando abro a porta… lá está ele. Encostado, os braços ainda cruzados. Yasmin já não está com ele. Isso me surpreende.
— Onde ela foi?
Pergunto, encarando Senhor Collins. Ele cerra os olhos, aperta os lábios. Um misto de insatisfação e tristeza se instala em seu olhar.
— Mandei embora. Ela não é minha filha. Não tem que ficar comigo.
A frieza na sua voz me atinge como um soco. Mas mais do que isso, percebo... por trás dessas palavras duras, uma dor profunda, guardada a sete chaves em seu coração.
— Eu não faço ideia de como é a sua vida, senhor Collins, mas aquela menina é um anjo. Ela não tem culpa de nada. Não existe amor mais puro e sincero do que o de uma criança.
— Enquanto eu interpreto o pai amoroso, a mãe se diverte com vários homens! — Ele solta uma risada seca, mais desabafo do que humor. — Eu não vou ser o compreensível, aquele que perdoa.
Claramente abalado, ele passa as mãos pelo cabelo e depois pelo rosto. Em silêncio, caminha até a janela e fixa o olhar na vista por longos minutos.


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